Ex-hindu, barbeiro é espancado após se converter ao cristianismo em Bangladesh

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Imagem Canva Pro

O barbeiro Kumar, de 33 anos, sofreu uma brutal agressão em Bangladesh após discutir sua fé cristã com um parente em sua barbearia. Convertido do hinduísmo para o cristianismo há cinco anos, Kumar foi atacado por uma multidão enfurecida no noroeste do país, em um episódio que escancara os desafios enfrentados por minorias religiosas na região.

O caso foi reportado pela organização Portas Abertas, que monitora casos de perseguição religiosa ao redor do mundo.

Discussão sobre fé terminou em violência

Tudo começou quando, durante uma conversa em seu estabelecimento, Kumar questionou a prática hindu de adoração a ídolos:

“Por que adorar estátuas feitas por mãos humanas? Elas não têm poder para abençoar ou amaldiçoar.”, teria dito.

A declaração enfureceu o parente, que acusou Kumar de “desonrar a religião” e mobilizou a comunidade local contra ele.

Na manhã seguinte, uma multidão invadiu a casa de Kumar, armada com paus, e promoveu um espancamento coletivo.

“Me jogaram no chão e me bateram na minha própria casa. Minha cabeça ainda dói. Não esperava essa reação dos vizinhos”, relatou Kumar à Portas Abertas.

Além dele, parentes próximos também foram agredidos.

Boicote social e medo constante

Líderes locais decretaram um boicote total à família de Kumar:

  • Ninguém pode falar com eles.
  • Foram proibidos de comprar ou vender no comércio local.
  • A barbearia, única fonte de renda, corre risco de falência.

“Orem para que os clientes não deixem de vir”, suplicou Kumar, que agora vive com medo de novos ataques.

“Trabalho até as 22h e tenho medo de voltar para casa no escuro. Eles podem me esperar no caminho.”, desabafa.

Perseguição crescente a cristãos em Bangladesh

Bangladesh tem cerca de 90% da população muçulmana e 8,5% hindu, segundo o CIA World Factbook (2023). Cristãos representam menos de 0,5% da população.

Conversões do hinduísmo ao cristianismo são raras e frequentemente punidas com violência e ostracismo.

O país ocupa a 30ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2024, segundo a Portas Abertas, que também informou estar prestando apoio jurídico e financeiro à família de Kumar.

Impunidade e silêncio das autoridades

Até o momento, não há registros de investigações policiais ou punições aos agressores.

De acordo com o relatório da Christian Persecution Monitor (2023), 70% dos ataques a cristãos em países de maioria não cristã são realizados por membros das próprias comunidades locais, e não diretamente pelos governos.

Um analista da Portas Abertas resume:

“A liberdade de crença muitas vezes esbarra em tradições comunitárias arraigadas.”

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