A Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, vive um momento crítico: a Justiça determinou o despejo do mega templo de Santo Amaro, zona sul de São Paulo, após a constatação de uma dívida que ultrapassa R$ 4,1 milhões em aluguéis atrasados. O imóvel, com capacidade para 20 mil pessoas e 46 mil m², foi inaugurado em 2014 e é um dos símbolos da expansão da igreja.
A igreja, que argumenta que o local também serve como residência pastoral para cerca de 15 famílias, alega ter sido vítima de “pressão psicológica” na assinatura do contrato e diz que o despejo pode prejudicar atividades religiosas e o bem-estar dos seus membros.
Embora a ordem judicial original tenha sido emitida em outubro de 2024, a instituição conseguiu adiar a ação por recursos judiciais — em dois momentos obteve suspensões de até 180 dias. No entanto, a Justiça agora cobra a desocupação mais firme.
Esse não é um caso isolado. No estado de São Paulo, já são 686 ações contra a Igreja Mundial por falta de pagamento de aluguel. Além disso, a instituição acumula uma dívida ativa de cerca de R$ 480 milhões com a União, segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O montante inclui:
- R$ 192 milhões em débitos tributários
- R$ 278,5 milhões em contribuições previdenciárias
- R$ 7,2 milhões em atraso de FGTS
- R$ 1,6 milhão em multas trabalhistas
Em 2022, a igreja chegou a oferecer o prédio sede no Brás como garantia de parte dessa fatura.
Na prática, a decisão judicial não apenas ameaça a continuidade das cerimônias no templo de Santo Amaro, mas também coloca em reflexão o futuro da denominação no eixo financeiro. A pressão sobre Valdemiro Santiago, mencionado como réu em vários processos relacionados às finanças da Mundial.
Se o despejo for consolidado, será um duro golpe à reputação da igreja e um teste à sua capacidade de reorganização. A instituição terá que lidar com um paradoxo: manter a obra de fé enquanto enfrenta o rigor judicial.



