Movimento voltado à masculinidade cristã enfrenta seu momento mais delicado desde a fundação em 2018
O movimento Machonaria Confraria Nacional de Homens, conhecido por promover uma proposta de masculinidade cristã com base em 40 códigos de conduta bíblica, enfrenta uma grave crise institucional. No último mês, 18 pastores anunciaram renúncia coletiva a seus cargos, alegando falta de transparência, má gestão de recursos e quebra de princípios fundamentais da organização.
A carta de renúncia foi divulgada nas redes sociais dos ex-líderes e rapidamente ganhou repercussão no meio evangélico. O principal alvo das denúncias é o fundador e atual presidente do movimento, o pastor brasiliense Anderson Silva, que tem sido figura central da Machonaria desde sua criação em 2018.
Denúncias de má gestão e endividamento
Segundo os ex-pastores, há indícios de confusão entre finanças pessoais e institucionais, uso indevido de dados de terceiros para contratos e financiamentos, além de suspeitas sobre a origem e o uso dos recursos arrecadados. As acusações incluem ainda a existência de uma dívida acumulada de R$ 500 mil, concentrada no chamado “hub social” da Machonaria, localizado em Samambaia Sul (DF), onde estariam ocorrendo os principais problemas administrativos.
“Os princípios que nos uniram foram violados. O movimento que nasceu para restaurar homens com base na Bíblia está agora envolto em incoerências éticas e financeiras”, diz um trecho da carta.
Alcance nacional e polêmicas recorrentes
Descrito pelo próprio pastor Anderson como o “maior movimento de masculinidade da América Latina”, a Machonaria já teria impactado mais de 10 mil homens em todo o Brasil, com atividades voltadas à liderança familiar, combate à pornografia, generosidade e vida espiritual ativa.
No entanto, o presidente do grupo já esteve envolvido em diversas polêmicas públicas. Uma das mais notórias foi a declaração em que afirmou que “mulheres têm potencial demoníaco”, o que gerou ampla repercussão e críticas por discurso machista. Em outro episódio, durante a eleição de 2022, Anderson apareceu em vídeo orando para que “a mandíbula de Lula fosse quebrada”, o que levou à abertura de uma investigação pela Polícia Federal.
Divisão interna e futuro incerto
A renúncia coletiva de parte significativa da liderança nacional levanta dúvidas sobre o futuro do movimento e expõe uma tensão crescente entre discurso e prática. Enquanto alguns apoiadores continuam defendendo o legado de transformação promovido pela Machonaria, críticos apontam que a centralização das decisões e a ausência de mecanismos de prestação de contas colocam o projeto em descrédito.
Até o momento, Anderson Silva não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. Nos bastidores, há movimentações tanto para reestruturar o movimento quanto para possíveis ações judiciais por parte dos ex-colaboradores.



