A Polícia Civil de São Paulo concluiu que não há indícios de fraude ou desvio de verbas na gestão da Igreja Bola de Neve, encerrando as investigações iniciadas após denúncias feitas por Denise Seixas, viúva do fundador Rinaldo “Rina” Seixas. O Ministério Público também determinou o arquivamento do inquérito, em decisão tomada no último dia 12 de junho. A homologação judicial ainda é aguardada, mas deve ocorrer sem resistência.
O início da disputa
A crise institucional teve início após a morte de Rina, em novembro de 2023, em um acidente de moto. Pouco depois, Denise contestou a sucessão no comando da igreja — que possui uma rede de mais de 500 templos e arrecadação estimada em R$ 250 milhões ao ano — e fez acusações de práticas irregulares por parte do conselho deliberativo. Em janeiro, ela chegou a assumir interinamente a presidência por decisão judicial, mas renunciou ao cargo em fevereiro, após um acordo interno, e retirou as denúncias.
Conclusão da Polícia
Apesar do recuo da viúva, a Polícia Civil manteve a apuração. No relatório final, datado de 5 de junho, os investigadores afirmaram não ter encontrado ilegalidades contábeis nem prejuízo patrimonial à igreja. O parecer serviu de base para o arquivamento por parte do Ministério Público.
Reações
A defesa da Igreja Bola de Neve comemorou o desfecho:
“Ficou comprovado que a igreja sempre agiu em consonância com a legislação brasileira.”
O conselho deliberativo também destacou que as contas da instituição são auditadas por uma empresa multinacional há mais de uma década — incluindo o período em que Denise Seixas integrava a diretoria.
Já a pastora, por meio de seus advogados, declarou apenas que há uma “comunicação judicial de indícios” ainda em trâmite sob sigilo na 17ª Vara Cível de São Paulo.
Caminho à frente
Com o caso criminal praticamente encerrado, a liderança da igreja afirma que o foco agora é “restaurar a unidade interna e seguir com os projetos sociais e missionários”. Apesar do alívio jurídico, o episódio expôs fissuras dentro da estrutura de governança da denominação, até então reconhecida por sua expansão acelerada e imagem coesa.
Analistas do meio evangélico apontam que, mesmo sem condenações, o caso trouxe reflexões importantes sobre transparência e sucessão em igrejas de grande porte no Brasil.



