Pablo Marçal leva 220 pessoas a “êxodo espiritual” em Israel em meio à tensão na região — e volta a ser alvo de críticas

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

Um mês após ser tornado réu por colocar 32 pessoas em risco durante uma escalada no Pico dos Marins (SP), o ex-coach e aspirante político Pablo Marçal voltou a gerar controvérsia ao anunciar que está conduzindo uma caravana com 220 seguidores em uma “mentoria espiritual” por Israel, país em tensão geopolítica contínua.

O grupo já passou por Egito e Jordânia, chegando a Israel nesta quarta-feira (25). Segundo Marçal, a viagem — chamada por ele de um “Êxodo moderno” — não é turismo, mas um ato de fé e propósito. O roteiro, vendido em lotes que chegaram a custar R$ 77 mil por pessoa, inclui passagens por locais bíblicos e regiões historicamente sensíveis do Oriente Médio.

Apesar de o pacote original indicar retorno ao Brasil no próximo sábado (28), Marçal afirmou em nota que “o grupo não tem data para voltar” e que entrou em território israelense com autorização do governo local. A alegação reforça o tom espiritual da experiência: “Atravessamos o Mar Vermelho, passamos pela Jordânia e agora estamos em Israel”, declarou.

Viagem em meio a tensão militar

A expedição ocorre em meio a um frágil cessar-fogo entre Israel e Irã, países que protagonizaram escaladas militares recentes e estão em constante alerta. Embora não haja combates ativos neste momento, a presença de um grupo numeroso de brasileiros na região chamou a atenção de autoridades e gerou críticas nas redes sociais, especialmente pelo histórico de Marçal com expedições arriscadas.

Histórico de risco no Pico dos Marins

No final de maio, Marçal se tornou réu após a Justiça paulista acatar denúncia do Ministério Público de São Paulo sobre sua responsabilidade na expedição de janeiro de 2022 ao Pico dos Marins, onde um grupo de 32 pessoas — muitas sem preparo técnico — enfrentou um temporal com rajadas de 100 km/h e teve que ser resgatado pelo Corpo de Bombeiros.

A denúncia foi baseada em inquérito policial que apura possível tentativa de homicídio privilegiado. A promotoria chegou a propor um acordo de não persecução penal, mas a defesa recusou, alegando que Marçal não foi o organizador da atividade e que não há provas contra ele.

“Missão” ou exposição irresponsável?

A viagem atual, que mistura espiritualidade, marketing pessoal e alto custo, reacende o debate sobre a conduta de líderes motivacionais que operam entre a fé e o empreendedorismo. Enquanto Marçal se apresenta como um “enviado” e diz atuar por propósito, críticos veem imprudência e exposição desnecessária de seguidores — que muitas vezes colocam sua segurança nas mãos de um líder carismático, mas não especializado em gestão de risco.

Além disso, o valor elevado do pacote de viagem (com parcelas de mais de R$ 6 mil mensais) também gerou questionamentos sobre o modelo de negócio travestido de experiência espiritual.

Um novo capítulo

Ainda que não tenha cometido nenhuma ilegalidade aparente nesta nova expedição, Pablo Marçal segue envolto em polêmicas e acusações de imprudência. O “êxodo moderno” no Oriente Médio pode parecer, para seus seguidores, um chamado de fé — mas, para muitos, soa como mais um movimento publicitário arriscado de alguém que flerta com os limites entre o propósito e o marketing pessoal.

A dúvida permanece: até onde vai a fé — e onde começa a irresponsabilidade?

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