Vitória de Deus, a ex-“mini pastora”, rompe o silêncio e pede perdão à comunidade LGBTQIA+: “Era só uma criança”

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

Entre 2012 e 2015, ela foi um verdadeiro fenômeno nas redes sociais. Com uma Bíblia na mão e um tom de voz carregado de autoridade, Vitória de Deus, conhecida como a “mini pastora”, viralizou pelo Brasil com vídeos de pregações intensas e frases que logo se tornaram memes, como o icônico: “Não mexe comigo não, porque se mexer comigo, tá mexendo com uma casa de marimbondo”.

Agora, anos depois e muito mais madura, Vitória reapareceu com uma postura surpreendentemente reflexiva. Em entrevista ao podcast PodKlang, ela revisitou um dos episódios mais polêmicos de sua infância: a origem da frase que a tornou famosa. Segundo ela, a frase foi dita em referência a um menino da comunidade LGBTQIA+, e hoje, com clareza e empatia, reconhece que estava apenas repetindo o que ouvia dos adultos.

“Eu posso dizer pra vocês que não era algo meu. Quando a gente é criança, a gente fala o que ouve em casa. Nunca é a gente”, desabafou.

Vitória foi além: contou que já fez um pedido de perdão público em uma live, reconhecendo que seu discurso, na época, carregava traços de intolerância religiosa — resultado, segundo ela, de um ambiente familiar e eclesiástico que fomentava o fanatismo.

“Hoje, com o entendimento que Deus me deu, eu peço perdão à comunidade LGBTQIA+. Isso não tem nada a ver com o evangelho verdadeiro”, afirmou.

Da pregação à música gospel

Apesar da fama precoce e dos erros do passado, Vitória segue firme em sua fé. Hoje, aos 18 anos, ela canaliza sua espiritualidade por meio da música gospel e compartilha com seus quase 300 mil seguidores nas redes sociais momentos de louvor, testemunhos e aprendizados. Sua trajetória é um reflexo da transformação pessoal — e espiritual — de alguém que começou sua caminhada sob os holofotes, mas encontrou um caminho mais consciente e sensível.

Um novo olhar sobre o passado

O caso de Vitória evidencia algo importante: o impacto que discursos religiosos exercem sobre crianças e o quanto elas podem ser usadas como porta-vozes de ideias que sequer compreendem. Sua autocrítica é um raro exemplo de responsabilidade emocional e espiritual em um meio que, muitas vezes, resiste a qualquer forma de revisão.

Mais do que uma fala pública, o gesto de Vitória de Deus representa uma abertura ao diálogo, uma tentativa de cura e, quem sabe, um chamado para que outros líderes religiosos revejam a forma como falam — e o que ensinam — às próximas gerações.

Se um dia foi símbolo de pregação inflamável, hoje Vitória mostra que fé também pode ser sinônimo de arrependimento, empatia e crescimento. E que até quem viralizou com intolerância pode — e deve — se permitir evoluir.

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