O Senado foi palco de emoção, fé e indignação nesta terça-feira (8), durante o pronunciamento do senador Magno Malta (PL-ES). Em um discurso que combinou homenagem pessoal e crítica política, o parlamentar relembrou a trajetória do pastor Gedelti Gueiros, fundador da Igreja Cristã Maranata, que faleceu no último sábado (5), aos 93 anos, deixando um legado marcante no cenário evangélico brasileiro.
Magno Malta, visivelmente comovido, resgatou memórias de sua juventude para destacar a influência que Gedelti exerceu em sua vida pessoal. Segundo ele, a ligação com o pastor começou de forma simples e transformadora: “Entrei no consultório dele, um dentista respeitadíssimo, e pedi que me atendesse. Eu era apenas um menino pobre do Nordeste. Ele me acolheu, e ali nasceu uma ligação umbilical”, disse o senador.
Gedelti Gueiros foi homenageado como um homem que dedicou sua vida ao evangelho e à ação social, ajudando a expandir a Igreja Maranata para diversos estados e países. Malta destacou que o estilo de culto da denominação e a postura de integridade de seu fundador contribuíram para consolidar a igreja como uma referência no meio cristão.
Críticas ao Supremo
Ainda durante o pronunciamento, Magno Malta partiu para uma crítica contundente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a suspensão dos efeitos do decreto legislativo que barrava o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Segundo o senador, a decisão do ministro representa uma afronta à soberania do Congresso Nacional:
“As duas Casas votaram o IOF e foram desrespeitadas por um partido nanico e por um homem só, que eu me recuso a chamar de ‘ministro’ ou de ‘excelência’.”
Malta ainda denunciou o que chamou de “judicialização da política” e questionou a legitimidade do Supremo em interferir em matérias claramente legislativas: “Essa audiência de conciliação não cabe a um integrante do Judiciário. Isso é passar dos limites.”
Fé e política entrelaçadas
O discurso de Magno Malta mostra mais uma vez como religião e política seguem profundamente entrelaçadas no Brasil. Ao rememorar a figura de Gedelti Gueiros — que era ao mesmo tempo líder espiritual e profissional da saúde — e ao criticar a atuação do STF, o senador reforça seu papel como uma das vozes mais influentes da bancada evangélica.
Gedelti Gueiros deixa um legado de quase cinco décadas à frente da Igreja Maranata, uma denominação que surgiu na periferia do Rio de Janeiro e se espalhou por 150 países, com mais de 12 mil templos em funcionamento. A homenagem no Senado reconhece essa trajetória, mas o tom do discurso de Magno Malta indica que, para ele, a luta pelos valores da fé cristã também passa pela resistência às instituições que — segundo ele — “tentam calar o Parlamento”.
Fonte Agência Senado



