A ex-deputada federal e cantora gospel Flordelis, condenada a 50 anos de prisão pelo assassinato do então marido, o pastor Anderson do Carmo, tem se dedicado a uma rotina pouco comum dentro das penitenciárias brasileiras: ela está fazendo cursos e lendo livros para reduzir o tempo atrás das grades. De forma estratégica — e talvez desesperada —, a pastora tem recorrido aos instrumentos legais de remição de pena para tentar amenizar sua longa sentença.
Segundo documentos obtidos pela imprensa, Flordelis concluiu cinco cursos no cárcere, variando de “Teologia Básica” a “Automaquiagem”, passando por “Auxiliar de Enfermagem” — este último o mais expressivo em termos de desconto, com 36 dias de pena a menos. Curiosamente, os estudos também incluíram “Organização de Empresas” e “Psicologia do Trabalho”, além de aulas de artesanato. Nem todos os cursos têm os dias de remição especificados, mas, somados, os estudos renderam 7 meses e 8 dias a menos na pena.
Mas não para por aí. Flordelis também se lançou ao mundo da literatura com o mesmo objetivo. Ao todo, leu nove livros e produziu resenhas com notas entre 6 e 9. A leitura de clássicos como Dom Casmurro, de Machado de Assis, e Senhora, de José de Alencar, junto de obras sobre o Holocausto e o nazismo, resultou em uma redução de mais 36 dias de pena.
Ao todo, entre estudos e leituras, Flordelis já conseguiu abater 254 dias de sua pena — cerca de oito meses e duas semanas. No entanto, parte desse “desconto” foi comprometido: ela perdeu 12 dias devido a uma infração considerada grave, por uso indevido de telefone dentro da penitenciária.
A estratégia de Flordelis não é incomum no sistema prisional brasileiro. A legislação permite que presos que se dediquem aos estudos e à leitura tenham suas penas reduzidas, como parte do processo de ressocialização. No entanto, o caso dela chama atenção por quem é — uma figura pública que já foi reverenciada nos púlpitos das maiores igrejas do país e, hoje, tenta reconstruir sua imagem a partir das grades.
Se os cursos e leituras representam um verdadeiro arrependimento ou apenas uma tentativa pragmática de deixar a prisão mais cedo, é algo que ainda divide opiniões. O que se sabe é que, mesmo encarcerada, Flordelis segue atuando — agora como aluna, leitora e, segundo fontes internas, ainda pregadora de fé dentro da cela.



