Pastor Waguinho defende cachês de artistas gospel e critica comparação com música secular

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

A recente fala do cantor e pastor Waguinho, ex-vocalista do grupo Os Morenos e hoje integrante da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), reacendeu uma velha polêmica: os cachês milionários de pregadores e artistas gospel em eventos promovidos por prefeituras.

Durante participação em um podcast, Waguinho afirmou que há um equívoco na maneira como a sociedade enxerga os valores pagos ao mercado evangélico. Para ele, os artistas cristãos não são supervalorizados — pelo contrário, são desvalorizados em comparação com nomes seculares. “Um cantor gospel de primeira prateleira recebe em média R$ 150 mil. Já um artista da terceira prateleira do sertanejo, do funk ou do pagode fatura de R$ 200 mil a R$ 300 mil”, declarou.

A comparação levantou debate nas redes sociais. Muitos internautas apontaram incoerência no uso de dinheiro público para bancar shows religiosos, especialmente diante da crise em áreas como saúde e educação. Outros, no entanto, defenderam que os evangélicos, que representam quase um terço da população brasileira segundo o IBGE, também pagam impostos e têm direito a eventos culturais que dialoguem com sua fé.

Waguinho reforçou esse ponto: “O dinheiro da cultura não pode ser transferido para saúde ou educação. Ele é específico, e os evangélicos também têm direito a usufruir dele”.

O debate não é novo. Nomes como Deive Leonardo e Camila Barros já foram alvo de questionamentos por cachês que variam de R$ 90 mil a R$ 290 mil para eventos de pouco mais de uma hora. Ainda assim, a presença desses artistas costuma atrair milhares de pessoas, movimentar o turismo local e aquecer a economia de pequenos municípios.

A fala de Waguinho, portanto, joga luz sobre uma questão delicada: até que ponto os eventos gospel devem ser vistos apenas como manifestações religiosas e onde começa o reconhecimento deles como parte da cultura popular brasileira?

Com o crescimento exponencial do público evangélico no país, a discussão deve se intensificar nos próximos anos — entre os que veem nesses cachês um privilégio injustificável e os que entendem como investimento cultural legítimo.

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