O senador Romário (PL-RJ) virou alvo de críticas contundentes do pastor Silas Malafaia, um dos líderes mais influentes do conservadorismo evangélico no Brasil. Em mensagem enviada por WhatsApp, Malafaia expressou profunda frustração com a recusa do ex-jogador em apoiar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A mensagem, revelada pela coluna de Paulo Cappelli, não poupa palavras:
“QUE DECEPÇÃO! Lhe apoiei nas eleições, influenciei evangélicos a votarem em você e agora você se omite nessa hora fundamental da nossa nação”, escreveu Malafaia. O pastor classificou a postura do senador como “covardia” e alertou que, caso Romário não assine o pedido de impeachment, fará campanha contra ele nas próximas eleições.
Apesar da leitura da mensagem, Romário preferiu o silêncio e não respondeu à cobrança pública. E não foi só Malafaia: outros nomes da direita, como Jair Renan, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, também pressionaram o senador nas redes sociais. “Vai continuar vivendo do gol de 94 ou vai mostrar que também sabe jogar pelo povo?”, provocou.
Entre a cruz e a urna
A situação expõe o racha dentro do PL, partido que abriga tanto aliados ferrenhos de Bolsonaro quanto políticos de perfil mais moderado, como Romário. O senador, que construiu sua imagem como um político direto, popular e independente, agora é cobrado a se alinhar com a ala bolsonarista em uma das pautas mais sensíveis da direita: a ofensiva contra o Judiciário.
A cobrança de Malafaia é simbólica: o apoio dos evangélicos foi determinante para a eleição de Romário. Mas a lealdade do eleitorado pode ser colocada à prova se ele continuar em cima do muro em temas considerados “prioritários” para esse grupo.
Enquanto isso, a crise entre Legislativo e Judiciário só se intensifica, e figuras públicas como Romário são empurradas a tomar partido — mesmo quando preferem manter distância do embate direto.



