Desde que assumiu a liderança global da Igreja Batista da Lagoinha em 2022, o pastor André Valadão enfrentou uma crise interna que resultou no desligamento de dezenas de congregações. Embora se tenha falado em até 70 unidades, levantamento do UOL Tab indica que cerca de 12 igrejas — entre elas a Pampulha e São Paulo — romperam com a denominação após a estruturação da “Lagoinha Global” em 2021, o que gerou tensões entre líderes regionais e o núcleo administrativo em Belo Horizonte.
No entanto, o cenário de retração acabou dando lugar a uma nova fase de expansão. A Lagoinha anunciou a inauguração de seis novas congregações no estado do Rio de Janeiro: duas na capital — Barra da Tijuca e Copacabana — e quatro em cidades estratégicas da Região dos Lagos e do interior — Cabo Frio, Búzios, Campos e Volta Redonda. A movimentação ocorre apenas quatro meses após o desfecho de uma disputa judicial com o cunhado de André, Felippe Valadão, então líder da Lagoinha Niterói.
O conflito se deu em torno do uso da marca “Lagoinha”. A liderança mineira acionou a Justiça exigindo a cessão do uso do nome pela filial no Rio e o cancelamento do domínio lagoinhaniteroi.com.br. A ação foi marcada por repercussão pessoal e midiática — sobretudo quando membros da família, como Ana Paula Valadão, declararam público o apoio a Mariana e Felippe, sinalizando um racha — até então, interno. Em resposta, Felippe renomeou suas congregações como “Novos Começos”, permitindo a continuidade da paz jurídica e o reinício da expansão.
Fundada em 1957, a Lagoinha hoje soma dezenas de templos no país e no exterior, com uma convenção particular chamada Lagoinha Global, dedicada a manter identidade eclesiástica comum entre as unidades.
Essa trajetória — do corte à reestruturação — sugere que a igreja está aprendendo a reconstruir bases, expandir com estratégia e firmar uma liderança renovada, mesmo em meio a tensões familiares e desafios jurídicos.



