No epicentro de uma conversa que tomou conta das redes, o teólogo Caio Modesto compartilhou um vídeo inflamado e cheio de opinião sobre um tema delicado: a responsabilização de crianças nas redes e nos púlpitos. Em seu post, Modesto ligou casos de adultização infantil — como o denunciado recentemente pelo youtuber Felca e o influenciador Hytalo Santos — com algo similar acontecendo em igrejas neopentecostais: as chamadas pregações mirins.
Felca ganhou visibilidade nacional ao denunciar o que chamou de “adultização e sexualização de menores” por parte de influenciadores. Ele citou o caso de Kamylla Santos, que apareceu em conteúdo desde os 12 anos e seguiu até os 17, sob uma exposição que levantou suspeitas quanto à violação do Estatuto da Criança e do Adolescente. O termo se refere ao estímulo precoce de crianças a comportamentos adultos — algo criticado por psicólogos e pela legislação.
Nesse contexto, Modesto foi além:
“Estamos vendo mercenários da fé entregando iPhone, brinquedos ou até viagem para a Disney em troca de um produto. E sabe qual o produto? A criança!”
Ele acrescentou que, nesses cenários, os pequenos são doutrinados a repetir aquilo que agrada ao público, enquanto adultos lucram por trás dos bastidores.
A postagem provocou fortes reações: alguns seguidores acusaram Modesto de oportunismo — “Usando o momento para hypar?”, questionou uma pessoa. Outros reagiram com força e pactuaram:
“Excelente. Se tem uma criança pregando, é porque a igreja em questão não tem liderança saudável…”.
Modesto reagiu nos comentários, desautorizando quem relativizou a questão. Ele lembrou que adultização não precisa ser sexual — basta lançar nas costas de uma criança responsabilidades ou exposição de imagem que ainda está fora da sua compreensão emocional. Ainda se desfizeram dúvidas ao redor da exposição de crianças em feiras e palcos quando – e se – elas ainda não possuem discernimento, autonomia ou proteção psicológica adequada.
O protesto de Modesto, carregado de indignação, acende um alerta: até que ponto a fé está sendo utilizada para mercantilizar as crianças, colocando sobre elas expectativas, imagens e responsabilidades inadequadas? Se a infância representa vulnerabilidade e necessidade de proteção, apresentá-la precocemente como adulto pode levantar um debate urgente, que vai além da religião e atinge os direitos fundamentais dos menores.



