Justiça autoriza transfusão de sangue em bebê de pais Testemunhas de Jeová em Maringá

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Imagem Canva Pro

Um caso delicado envolvendo fé e direito à vida mobilizou a Justiça no Paraná. O juiz Robespierre Foureaux Alves, da Vara da Infância e Juventude de Maringá, autorizou que uma equipe médica realizasse transfusões de sangue em um bebê de apenas três meses, mesmo contra a vontade dos pais, que são Testemunhas de Jeová.

Segundo informações do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), a criança está internada com dengue grave, além de enfrentar sepse, síndrome de Down e uma cardiopatia congênita. O hospital alertou que o quadro exige monitoramento constante e que a transfusão de sangue pode ser essencial para evitar descompensação cardiovascular, intubação ou até risco iminente de morte.

As Testemunhas de Jeová, religião dos pais, não aceitam transfusões de sangue por motivos doutrinários, baseados em interpretações bíblicas que consideram o sangue sagrado. Por isso, os genitores se opuseram ao procedimento.

Direito à vida acima da liberdade religiosa

Na decisão, o juiz Alves ressaltou que a recusa dos pais poderia resultar em morte ou em sequelas irreversíveis para o bebê. Ele destacou que a autorização judicial implica em uma restrição temporária e moderada à liberdade de crença, mas que isso é desproporcionalmente menor diante do risco de perda da vida da criança.

“Não se exclui o direito à liberdade religiosa de seus genitores. Contudo, a proteção do direito à liberdade de crença, em níveis extremos, defronta-se com outros direitos fundamentais, norteadores de nosso sistema jurídico-constitucional, a saber, os direitos à vida e à saúde”, escreveu o magistrado.

Consequências da decisão

Com a medida, a equipe médica está autorizada a realizar, sempre que necessário, transfusões de sangue e outros procedimentos imprescindíveis para a preservação da vida e da saúde do bebê durante o período de internação.

O caso reacende o debate sobre os limites da liberdade religiosa quando confrontada com o direito à vida, especialmente em situações que envolvem crianças e a necessidade de decisões urgentes em ambiente hospitalar.

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