Pouco conhecida fora do meio evangélico, mas com grande influência nos bastidores, a pastora mineira Ezenete Rodrigues conquistou um espaço de destaque dentro da rotina espiritual da família Bolsonaro. É ela quem conduz os encontros de oração semanais no condomínio do ex-presidente, em Brasília — reuniões que, segundo aliados, se tornaram parte essencial da vida de Michelle Bolsonaro.
Natural de Minas Gerais, Ezenete se consolidou como pregadora e intercessora, hoje à frente da Estância Paraíso, em Sabará (MG), um retiro espiritual conhecido por atrair fiéis em busca de renovação. O local já recebeu nomes de peso do entretenimento, como Wesley Safadão e a ex-dupla Simone e Simaria, que buscaram períodos de retiro e aconselhamento.
Nas redes sociais, Ezenete soma mais de 800 mil seguidores e alcança milhares de pessoas com transmissões semanais, reforçando sua imagem como uma das principais vozes da intercessão evangélica no Brasil.
O elo com a família presidencial se deu por meio de Michelle Bolsonaro, que passou a enxergar em Ezenete não só uma mentora espiritual, mas também uma conselheira de confiança. Após a derrota eleitoral de 2022, a pastora manteve-se firme ao lado da ex-primeira-dama, ajudando a estruturar a rede de apoio espiritual que sustenta os Bolsonaros em meio às turbulências políticas e jurídicas.
Um dos momentos que mais chamaram a atenção ocorreu em julho, quando Ezenete pregou em um culto em Taguatinga (DF). Durante a ministração, Jair Bolsonaro chorou diante da congregação, e as imagens rapidamente viralizaram, ampliando ainda mais a visibilidade da pastora.
Desde que o ex-presidente passou a cumprir prisão domiciliar, em agosto, as reuniões de oração precisaram da autorização do ministro Alexandre de Moraes. A pastora foi incluída em uma lista de 17 pessoas autorizadas a participar, ao lado de nomes como Robson Rodovalho, fundador da Sara Nossa Terra, e o deputado distrital Thiago Manzoni (PL).
O acesso, no entanto, segue regras rígidas: carros são vistoriados, celulares são proibidos e todos os participantes passam por revista na entrada e na saída.
Enquanto Bolsonaro enfrenta uma pena de 27 anos e três meses de prisão confirmada pelo STF, Ezenete permanece como uma das figuras mais próximas da família. Discreta para o grande público, mas amplamente respeitada no meio evangélico, ela se fortalece como uma espécie de guardiã espiritual do clã Bolsonaro — e como personagem-chave da interseção entre fé e política no Brasil atual.



