O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a impor limites nas visitas autorizadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar desde agosto. Desta vez, Moraes barrou a inclusão do bispo Robson Lemos Rodovalho no grupo de orações que recebeu permissão para entrar na casa do ex-mandatário em Brasília.
O pedido havia sido feito pela defesa de Bolsonaro para a visita da última quarta-feira (24/9). A lista original, já aprovada anteriormente, conta com 17 nomes, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pastores próximos ao casal.
Rodovalho, fundador da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra e ex-deputado federal (2007-2010), acabou sendo vetado por Moraes, que considerou a solicitação um “desvio de finalidade”.
“Todos os presos, sejam provisórios ou definitivos, têm direito à assistência religiosa, nos termos do preceito constitucional. O ‘Grupo de Orações’, entretanto, não pode ser utilizado para acrescentar diversas e distintas pessoas como integrantes somente para a realização de visitas não especificamente requeridas”, escreveu o ministro em sua decisão.
A fala de Moraes revela uma preocupação que vai além do aspecto religioso. Para o magistrado, o direito à assistência espiritual não pode se transformar em brecha para visitas políticas ou sociais disfarçadas de culto.
O veto a Rodovalho também tem peso simbólico. O bispo é uma figura de influência no meio evangélico e já transitou pela política, o que poderia ampliar a leitura de que Bolsonaro vem recebendo, em sua casa, mais que apenas apoio espiritual — mas também respaldo político de lideranças religiosas.
Na prática, a decisão reafirma o recado de Moraes: orações, sim; palanque, não.



