Expansão da Lagoinha em Madri enfrenta crises, dívidas e saída em massa de membros

0
95
Imagem Reprodução: Redes Sociais

A expansão da Igreja Batista da Lagoinha para Madri, na Espanha, começou cercada de entusiasmo e promessas de crescimento. Mas, quase nove anos depois, a comunidade se vê em meio a denúncias de abusos de poder, rupturas internas, dívidas acumuladas e alta rotatividade de membros. Hoje, os cultos acontecem em uma sala de cinema alugada, enquanto antigos colaboradores relatam frustrações e dívidas não quitadas.

Do sonho à instabilidade

A missão foi iniciada pelos pastores Julián e Lorraine Flores, ex-alunos do seminário Carisma, em Belo Horizonte, que afirmaram ter recebido um chamado específico para a Espanha. A chegada foi vista como parte da estratégia da Lagoinha de ampliar sua presença internacional. No entanto, relatos de fiéis apontam que o casal assumiu uma liderança centralizadora, impondo decisões sem espaço para diálogo. Entre as críticas, há denúncias de pressões sobre jovens para abandonarem estudos acadêmicos e se dedicarem integralmente à igreja, o que levantou acusações de abusos psicológicos.

Conflitos e expulsões

Na tentativa de consolidar sua presença, a Lagoinha levou para Madri o curso Carisma, trazendo professores do Brasil. O casal Cássio e Sílvia chegou a lecionar, mas acabou expulso da igreja e do apartamento alugado em nome da instituição após divergências doutrinárias. Sem ter onde morar, eles passaram a viver em um bar alugado, que também virou local de culto de outra denominação. O episódio provocou uma onda de saídas de líderes e membros antigos.

Outros missionários também foram desligados após questionarem práticas como a chamada “unção do riso”. Alguns afirmam que foram convidados a se retirar diante da liderança, sem qualquer explicação posterior à comunidade.

Crise financeira e demissões

Com o tempo, as dívidas aumentaram. Para sustentar a estrutura, Julián colocou colaboradores em folha de pagamento, mas logo precisou anunciar demissões em massa. Entre os afetados estavam famílias que moravam em apartamentos alugados em nome da igreja, obrigadas a deixar os imóveis em prazo curto. O caso mais emblemático foi o da cantora Sara, grávida na época.

Embora houvesse promessa de arcar com aluguéis por três meses para algumas famílias, como a do pastor Rafa, a crise financeira agravou o esvaziamento da igreja. Estima-se que cerca de 60% da comunidade tenha abandonado a Lagoinha Madri após os episódios mais recentes.

O cenário atual

Hoje, a Lagoinha sobrevive com cultos em um cinema alugado por evento, reunindo cerca de 300 pessoas, número que varia devido à alta rotatividade. Dois imóveis continuam em nome da instituição: um espaço educacional reformado, mas sem autorização da prefeitura para uso religioso, e outro ao sul de Madri, cujo contrato segue ativo apesar da dificuldade em arcar com os custos.

Julián e Lorraine permanecem na liderança, mas perderam o papel de supervisores de outras unidades europeias. Para membros antigos, a falta de respostas e transparência gera frustração. Já os novos frequentadores convivem apenas com a rotina atual, sem conhecer a fundo as turbulências que marcaram a expansão da igreja na Espanha.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here