Na segunda-feira (29), durante um culto voltado para homens na Lagoinha Alphaville, em São Paulo, o pastor sênior André Valadão respondeu a uma pergunta que acabou viralizando: “Existe diferença entre admirar a beleza de uma mulher e ter desejo sexual por ela?”
Valadão utilizou uma frase atribuída ao evangelista Billy Graham para explicar sua posição: “O primeiro olhar é inevitável, mas o segundo é opcional.” Logo em seguida, completou de maneira descontraída:
“Se tiver uma mulher bonita passando e você não reparou, você está com problemas, porque a gente gosta de coisa boa.”
A fala, que aparentemente buscava distinguir a admiração estética do desejo sexual, rapidamente ganhou destaque nas redes sociais. Enquanto parte dos seguidores interpretou como uma abordagem sincera e realista, outros criticaram o tom considerado inadequado, sobretudo diante do momento delicado vivido pelo meio evangélico.
A declaração de André Valadão chega em meio a uma sequência de escândalos envolvendo líderes evangélicos no Brasil. Nos últimos meses, denúncias de traição, relacionamentos extraconjugais e até casos de manutenção de amantes custeadas com recursos pessoais ou eclesiásticos ganharam espaço na mídia.
Entre os episódios recentes citados por internautas estão:
- o caso do pastor Davi Passamani, de Goiânia, acusado de traição;
- as denúncias contra o pastor Ailton Novaes, de Joinville;
- e o caso de um pastor da Assembleia de Deus em Santo André, exposto por manter uma amante em apartamento financiado por ele.
Essas situações têm pressionado ainda mais líderes a reverem seus discursos e comportamentos, já que a confiança dos fiéis e a credibilidade pública das igrejas são diretamente afetadas.
A repercussão da fala de Valadão expõe um ponto sensível: a responsabilidade das lideranças religiosas no uso de palavras que alcançam milhares de seguidores dentro e fora da igreja. Se por um lado a sinceridade aproxima, por outro, comentários mal interpretados podem gerar desgastes adicionais em um cenário já marcado por desconfiança.
O episódio reforça a necessidade de maior cautela no púlpito e da consciência de que, em tempos de redes sociais, nenhuma fala permanece restrita ao ambiente do culto.



