O pastor e deputado federal Henrique Vieira (PSOL-RJ) protagonizou um discurso contundente na Câmara ao questionar o modelo de negócios do Clava Forte Bank, banco digital fundado pelo cantor gospel e pastor André Valadão, líder global da Igreja Batista da Lagoinha.
Em sua fala, Vieira alertou para a “mercantilização da fé”, ressaltando que a iniciativa representa um possível risco à separação entre religião e interesses financeiros. “Quando a igreja vira banco e quando a fé vira um negócio, é preciso soar o alerta”, declarou. O deputado enviou um ofício ao Banco Central solicitando esclarecimentos sobre o funcionamento da instituição, que se apresenta como a primeira voltada para igrejas, pastores e fiéis. O principal questionamento é se o banco estaria utilizando imunidade tributária das igrejas de forma indevida — benefício constitucional destinado exclusivamente a atividades religiosas.
Vieira também criticou a coincidência de o banco compartilhar a mesma sede da Igreja Lagoinha em Belo Horizonte e ironizou a relação entre culto e consumo: “Jesus expulsou os mercadores do templo. Agora estão transformando o templo em agência bancária.”
O Clava Forte Bank S/A, lançado em 2024, oferece contas digitais, cartões, financiamentos e seguros, com o discurso de “fortalecer o Reino de Deus por meio das finanças”. André Valadão ocupa a presidência, enquanto a diretoria era comandada até recentemente por sua esposa, Cassiane Valadão.
Para Henrique Vieira, o debate vai além da fé: “O que está em jogo não é apenas a fé, é a República. Quando líderes religiosos criam bancos amparados pela imunidade e pela estrutura das igrejas, o Estado laico está em risco. Isso não é liberdade religiosa — é privilégio travestido de devoção.”
O caso levanta discussões sobre limites entre atividades religiosas e empresariais e a forma como o benefício fiscal das igrejas pode ser aplicado a empreendimentos privados.



