Pastor e deputado Otoni de Paula chama operação no Rio de “ato de execução” e culpa governador Cláudio Castro

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

O pastor e deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) provocou polêmica ao classificar a megaoperação policial realizada na última terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, como um “ato de execução”. A declaração contraria o discurso da maior parte da base conservadora, que tem defendido a ação como um duro golpe contra o Comando Vermelho (CV).

A operação, considerada a mais letal da história do país, deixou mais de uma centena de mortos, dezenas de feridos e resultou na apreensão de mais de 90 fuzis, drogas e munições. Segundo a Polícia Militar e a Civil, apenas quatro das vítimas eram agentes de segurança dois policiais civis e dois militares do Bope, enquanto as demais seriam integrantes do CV.

Otoni, no entanto, sustentou que a ação foi além dos limites da lei:

“Nitidamente os policiais estavam com liberdade para executar. Nenhuma operação dessa magnitude acontece sem uma ordem política. Algo como: ‘façam o que tem que fazer’”, declarou.

O parlamentar, que tem se aproximado de pautas mais moderadas e de apoio ao governo Lula, também criticou a tática policial de empurrar o confronto para uma área de mata conhecida como “muro de proteção”.

“O que chamaram de muro de proteção é o muro da morte. Levaram os criminosos e não sei se havia inocentes também para um ato de execução”, afirmou.

O governador Cláudio Castro (PL) respondeu às críticas defendendo a estratégia, dizendo que o objetivo foi “minimizar o impacto sobre os moradores” e evitar tiroteios em áreas densamente povoadas.

Durante sessão da Câmara dos Deputados, na quarta-feira (29), Otoni emocionou os colegas ao afirmar que quatro jovens ligados à sua igreja foram mortos na operação. Ele associou as mortes ao racismo estrutural:

“Só de filhos de gente da igreja, eu sei que morreram quatro. Meninos que nunca portaram fuzil, mas que estão sendo contados como bandidos”, disse.

O pastor ainda revelou medo pela segurança de um de seus filhos, que trabalha em comunidades:

“É fácil dizer ‘que bom, matou’, quando o filho de vocês não está lá dentro. O meu está. E o meu pânico é que ele é preto.”

Otoni anunciou que irá solicitar à Comissão de Direitos Humanos e Minorias que a Polícia Federal assuma as investigações da operação.

“O Estado do Rio perdeu condições de apurar o que ele mesmo fez. Essa carnificina precisa de uma investigação autônoma”, justificou.

Encerrando sua fala, o deputado reforçou que a questão ultrapassa divisões partidárias:

“Esse não é um tema de esquerda nem de direita. É um tema humanitário. Não podemos transformar uma tragédia em disputa ideológica.”

A fala de Otoni de Paula abriu um novo capítulo no debate sobre segurança pública, racismo e uso da força policial no Brasil e sinaliza um possível racha no campo conservador diante da escalada da violência no Rio de Janeiro.

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