Pastor é preso em operação que desmantela esquema de extorsão ligado ao Comando Vermelho na Reduc

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Imagem Canva Pro

Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, deflagrada nesta quinta-feira (27), desmantelou um esquema de extorsão que atuava nas imediações da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense e entre os presos está um homem que se apresentava como pastor e líder comunitário, mas, segundo a investigação, exercia papel de intermediário direto da facção criminosa Comando Vermelho (CV) dentro do polo industrial.

De acordo com a força-tarefa da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP), o esquema era estruturado: empresas que atuavam na área eram obrigadas a pagar “taxas” mensais ao grupo, aceitar indicações de contratações determinadas pelo tráfico, ou sofrer com paralisações de suas atividades. O pastor preso exercia o papel de “porta-voz”: negociava diretamente com as empresas, fiscalizava operações e distribuía ordens da facção transformando o polo industrial, segundo a polícia, em área de controle do crime.

Além da extorsão, autoridades apontam que o grupo comandado pelo suspeito foi responsável por diversos atos de violência e intimidação. O chefão do tráfico na região, segundo a ação policial, é um homem identificado como Joab da Conceição Silva, que já teria ordenado um ataque à 60ª Delegacia de Polícia no início de 2025. A prisão do pastor, por sua vez, reforça a tese de infiltração da facção em setores estratégicos da indústria e da logística.

Durante a operação batizada de Operação Refinaria Livre agentes cumpriram mandados de prisão temporária e de busca e apreensão na Baixada Fluminense e em Minas Gerais. Três pessoas já foram detidas. A atuação da quadrilha colocava em risco não apenas as empresas envolvidas, mas potencialmente o abastecimento de combustíveis em escala regional e nacional, dada a importância da Reduc para o setor.

Fontes policiais relatam que o esquema funcionava com “profissionalismo”: contratos de transporte e de fornecedores eram condicionados a aprovações da facção, e decisões operacionais como quem poderia entrar ou sair do polo, quais obras seriam realizadas ou suspensas — dependiam da autorização dos criminosos. O pastor detido usava sua aparência de liderança comunitária e fachada religiosa para ganhar confiança e disfarçar sua atuação ilícita.

Esse caso evidencia não apenas a penetração de grupos criminosos em ambientes industriais vulneráveis, mas também a estratégia de usar instituições religiosas como fachada para atividades ilegais algo que, infelizmente, já tem histórico em diversos contextos do país. A prisão desse “líder espiritual” representa um recado claro às empresas e à sociedade: nem a fé pode servir de manto para a criminalidade.

A Justiça agora precisa acompanhar o caso de perto: autoridades devem analisar com atenção os contratos irregulares, as empresas envolvidas e a real extensão da influência da facção. Para a população da Baixada e para o setor de combustíveis, a expectativa é que a Operação Refinaria Livre seja o começo de uma limpeza estrutural de práticas criminosas e de uma retomada da liberdade de atuação das empresas.

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