A 16ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a condenação de Fábio Rodrigues Jordão — que se apresentava como pastor e jornalista por liderar um esquema fraudulento em 2022 que prometia uma motociata e um almoço com Jair Bolsonaro. O evento jamais existiu, e dezenas de pessoas foram enganadas.
Na época, Jordão anunciava um encontro que reuniria cerca de 500 pessoas no restaurante “Rancho do Cupim”, em Pereira Barreto (SP), vendendo ingressos entre R$ 20 e R$ 500, além de cotas de patrocínio de R$ 5 mil e R$ 10 mil. Segundo a acusação, ele afirmava que o valor arrecadado seria usado para a construção de um hospital. Empresários locais, moradores e simpatizantes do ex-presidente confiaram na promessa. Para sustentar o golpe, ele chegou a apresentar documentos falsos que alegava serem da segurança de Bolsonaro e até da Polícia Federal o que depois se comprovou mentiroso.
Quando chegou o dia do evento, as vítimas perceberam que Bolsonaro nunca havia confirmado presença. O almoço não existiu, não havia estrutura alguma, e o restaurante contratado relatou que não recebeu um centavo. De acordo com depoimentos dos lesados, muitos acreditaram “na boa-fé” de Jordão; outro empresário declarou sentir “vergonha” por ter perdido R$ 5 mil.
Para a Justiça, os fatos ficaram claros: Jordão usou de “expediente fraudulento” com a intenção consciente de enganar participantes e patrocinadores. A decisão da relatora, desembargadora Teresa Magalhães, reforçou que houve estelionato e não se trata de mero erro ou expectativa frustrada, mas de crime.
Com a condenação mantida, Fábio Rodrigues Jordão deverá cumprir pena de 1 ano e 9 meses em regime fechado, embora ainda caiba recurso.
Este caso evidencia, mais uma vez, como a imagem pública de políticos e símbolos de poder podem ser usados como “isca” para fraudes e como a confiança depositada por pessoas comuns pode tornar-se instrumento de golpes bem articulados. A Justiça, ao manter a condenação, envia um recado claro: promessas falsas, por mais sedutoras que pareçam, não ficam impunes.



