Igreja Católica mantém proibição a diáconas, apesar de admitir possibilidade futura

0
75
Imagem Canva Pro

Nesta quarta-feira (4 de dezembro de 2025), o Vaticano divulgou o resultado de uma comissão criada há cinco anos para avaliar a possibilidade de admitir mulheres como diáconas e, por enquanto, o veredito é um “não”. A maioria dos membros votou contra a ordenação feminina ao diaconato entendido como um grau do sacramento da Ordem.

A comissão, presidida pelo Giuseppe Petrocchi, ressaltou que, a partir da pesquisa histórica e teológica até aqui realizada, não há base suficiente para avançar com essa mudança. Ao mesmo tempo, no entanto, admitiu que o tema não deve ser enterrado definitivamente deixando em aberto a possibilidade de futuros debates.

De acordo com o relatório, a comissão avaliou que a evidência histórica sobre “diaconisas” no início do cristianismo é ambígua, e não permite afirmar que a ordenação feminina correspondente ao diaconato masculino existiu de forma inequívoca. Por isso, concluiu que, no estágio atual, não há como afirmar com segurança que a ordenação de mulheres seja compatível com a tradição sacramental da Igreja.

Na Igreja Católica, o diaconato representa o primeiro degrau do clero ordenado acima dele vêm o sacerdócio e o episcopado. Diáconos podem executar batismos, presidir casamentos, funerais e ajudar nos sacramentos, embora não celebrem missas. Atualmente, esse cargo continua reservado exclusivamente a homens.

Com a decisão, a estrutura oficial da Igreja permanece inalterada mulheres continuam sem acesso ao diaconato sacramental. Ainda assim, o documento divulgado ressalta a importância de ampliar “funções leigas” para mulheres, reforçando a participação feminina em outros ministérios não ordenados.

A comissão de estudo foi instituída em 2020 pelo então Papa Francisco, e seus trabalhos se estenderam por vários anos. O processo envolveu reflexões sobre textos antigos da Igreja, tradição, Escrituras e as transformações das comunidades católicas ao redor do mundo.

Mesmo com o “não” atual, a posição da Igreja em 2025 não parece definitiva. A nota oficial afirma que “não é possível, por ora, formular um juízo definitivo” sobre o tema o que indica que a porta permanece entreaberta para novas discussões teológicas e talvez pastorais.

Organizações e vozes críticas já manifestaram desapontamento. Para muitos defensores da ordenação feminina, a decisão representa um retrocesso no caminho por igualdade de gênero dentro da Igreja. Para outros, a cautela é justificável diante da dificuldade de conciliar tradições milenares com demandas contemporâneas.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here