Ato pró-anistia organizado por Padre Kelmon divide bolsonaristas e recebe críticas de Silas Malafaia

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

O domingo (7/12) foi marcado por mais um capítulo de tensão dentro do próprio campo bolsonarista. O pastor Silas Malafaia, que se consolidou como um dos principais articuladores dos grandes atos em apoio a Jair Bolsonaro em São Paulo, reagiu negativamente à mobilização convocada pelo ex-candidato à Presidência Padre Kelmon. O religioso havia chamado seus seguidores para uma caminhada pela “anistia e liberdade” ao ex-presidente, organizada na avenida Paulista.

Antes da realização do ato, Malafaia já havia criticado abertamente a iniciativa. Em entrevista, disparou: “Existem famosos anônimos que querem tirar proveito sem nenhuma condição de mobilizar o povo. Ou são aproveitadores da situação para aparecer ou gente inocente movida por emoção sem nenhuma visão política. Das duas, uma!”. A fala expôs, de forma direta, a disputa interna por protagonismo dentro da direita.

A convocação de Kelmon, publicada nas redes sociais dias antes, conclamava os apoiadores de Bolsonaro a se unirem numa “grande caminhada pela anistia”. O ato teve concentração às 13h, em frente ao prédio da TV Gazeta, e seguiu até a Catedral da Sé, no centro de São Paulo. No vídeo, o religioso afirmava: “Minha gente, é chegada a hora e o momento de nos unirmos e tomarmos as ruas. (…) Venha caminhar conosco. Juntos e unidos vamos mudar o Brasil”.

A crítica de Malafaia não ficou apenas no tom ideológico. Para o pastor, o movimento teria sido motivado por interesses eleitorais. Questionado sobre a “liderança” de Kelmon no ato, ele foi direto: “Eu ouvi dizer que ele é candidato a deputado federal, está fazendo média, irmão”.

O episódio revelou um incômodo crescente entre lideranças da direita: quem tem legitimidade para convocar atos em nome de Jair Bolsonaro? Nos bastidores, aliados admitem que o evento de Kelmon causou desconforto entre organizadores mais tradicionais que temem tanto a pulverização das lideranças quanto a possibilidade de manifestações com pouca adesão desgastarem a imagem do movimento.

A caminhada de domingo, embora menor do que outras mobilizações recentes, serviu como termômetro de articulação após o avanço de processos e debates sobre uma eventual anistia ao ex-presidente. A divisão também evidenciou que, mesmo dentro de um campo político coeso no discurso, há disputas profundas por espaço, narrativa e capital eleitoral.

Com o ato agora consumado, restam as leituras políticas: Kelmon buscou se firmar como voz relevante na militância bolsonarista, enquanto Malafaia procurou proteger o território que já ocupa o de principal mobilizador das massas alinhadas à direita nas ruas. No fim, o domingo mostrou que, por trás das bandeiras unificadas, o bolsonarismo vive um momento de disputas internas tão barulhentas quanto os próprios atos que promove.

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