O empresário e influenciador digital Agustin Fernandez, conhecido nacionalmente por ter sido o maquiador oficial da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, vive uma fase de reposicionamento público que mistura fé, identidade pessoal e embates políticos. Assumidamente gay, conservador nos costumes políticos e agora frequentador ativo de uma igreja evangélica, Agustin tem chamado atenção justamente por ocupar um espaço que muitos ainda consideram contraditório.
Nos últimos meses, o influenciador passou a falar com mais frequência sobre sua caminhada cristã. Ele congrega na ADAlpha Church, em Alphaville (SP), igreja liderada pelo pastor Jairo Manhães e pela cantora gospel Cassiane, um dos nomes mais tradicionais da música evangélica no Brasil. Em publicações emocionadas, Agustin descreveu a igreja como um lugar de acolhimento e fortalecimento emocional, destacando o impacto espiritual que as pregações e louvores exercem sobre sua rotina.
“Eu conto os dias para chegar quarta e domingo”, escreveu, ao relatar como as mensagens do pastor o ajudam a lidar com conflitos internos. Sobre Cassiane, afirmou que a voz da cantora “soa mais alto que o barulho interno”, em uma clara referência às batalhas emocionais que diz enfrentar. O tom confessional e humano das postagens ajudou a aproximá-lo de um público que vai além do nicho conservador que o acompanha desde os tempos de forte engajamento político.
Como parte dessa nova fase, Agustin lançou em suas redes o quadro “Evangêflix”, uma série de vídeos curtos em que reconta histórias bíblicas de personagens como Jacó, Elias e Ester. A proposta foge do formato tradicional de pregação: ele utiliza humor leve, linguagem acessível e referências contemporâneas para traduzir narrativas antigas ao cotidiano digital. A iniciativa tem sido bem recebida por seguidores que veem no projeto uma forma menos engessada de falar sobre fé.
Ao mesmo tempo, o influenciador não sinaliza qualquer intenção de mudar sua orientação sexual ou sua estética pessoal. Pelo contrário: Agustin tem sido explícito ao afirmar que sua presença na igreja não passa por negar quem ele é. Essa postura, embora elogiada por uns como sinal de autenticidade, também gera incômodo em setores mais conservadores do meio evangélico, que ainda associam fé a padrões rígidos de comportamento.
A exposição aumentou ainda mais após uma denúncia feita pelo próprio Agustin nesta semana. Ele afirmou que gravou uma participação no Programa Silvio Santos, apresentado por Patrícia Abravanel, mas que o conteúdo nunca foi exibido. Segundo o influenciador, o quadro teria sido engavetado após um suposto pedido da primeira-dama Janja da Silva alegação que, até o momento, não foi confirmada por nenhuma das partes envolvidas.
A fala surgiu em meio a críticas nas redes sociais direcionadas às filhas de Silvio Santos, após a presença do presidente Lula e do ministro Alexandre de Moraes em eventos ligados ao SBT. Nem a emissora nem o Palácio do Planalto se manifestaram sobre o caso, mas a declaração reacendeu debates sobre censura, alinhamento político e os bastidores da televisão brasileira.



