Troca de ataques entre Silas Malafaia e Paulo Figueiredo expõe disputa na direita sobre 2026

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

A disputa interna na direita brasileira ganhou mais um capítulo ruidoso nesta quinta-feira (22), quando o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), e o influenciador Paulo Figueiredo protagonizaram um bate-boca público nas redes sociais. O embate teve como pano de fundo a sucessão presidencial de 2026 e, mais especificamente, a divergência sobre quem deveria representar o campo conservador na corrida contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A confusão começou após Malafaia reiterar, em entrevista, que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não empolgou a direita e carece de viabilidade eleitoral. Para o pastor, se o objetivo for derrotar Lula, o nome mais competitivo seria o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por seu trânsito com o centro político e menor rejeição fora da base ideológica mais dura.

O trecho da entrevista foi compartilhado por Paulo Figueiredo em sua conta no X (antigo Twitter), acompanhado de uma crítica irônica. O influenciador afirmou ser “triste ver o pastor naquele estado” e sugeriu que Malafaia teria apostado no “cavalo errado”. Apesar da crítica, Figueiredo acrescentou que acreditava que o líder religioso desejava o melhor para o país e provocou ao lembrar que Malafaia já apoiou Lula no passado. “Para quem já apoiou entusiasticamente Lula, apoiar Tarcísio é uma evolução”, escreveu.

A resposta de Malafaia veio rápida e sem filtros. Também pelo X, o pastor chamou Figueiredo de “frouxo e falastrão que não suporta ideias contrárias” e ironizou o fato de o influenciador viver nos Estados Unidos. “Fácil é ficar nos EUA atacando Alexandre de Moraes e os que pensam diferente”, disparou, em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), alvo frequente de críticas do bolsonarismo.

Paulo Figueiredo não deixou a provocação sem resposta. Com ironia, afirmou que Malafaia teria ficado “doído com a primeira verdade que ouviu” e que “pitis” desse tipo não o afetam. O tom jocoso, porém, não esfriou os ânimos. Em nova investida, Malafaia desafiou o influenciador para um debate público e trouxe à tona o passado familiar de Figueiredo, citando seu avô, o ex-presidente João Figueiredo (1979–1985). O pastor lembrou que o militar foi ministro nos governos Médici e Geisel, a quem chamou de “o maior torturador de todos” e de alguém que não tolerava opiniões divergentes.

Figueiredo respondeu aceitando o debate e aproveitou para ironizar o que chamou de confusão histórica do pastor, afirmando que Malafaia teria misturado a figura de seu avô com a de seu pai, que era civil. A troca de farpas seguiu alimentando comentários, curtidas e compartilhamentos, ampliando o alcance do embate.

O episódio não é isolado. Trata-se do segundo confronto público protagonizado por Silas Malafaia em poucas semanas, após ataques direcionados à senadora Damares Alves (Republicanos-PB). O padrão se repete: divergências estratégicas sobre o futuro do bolsonarismo vêm sendo resolvidas cada vez mais à vista do público, nas redes sociais.

Mais do que uma briga pessoal, o embate entre Malafaia e Figueiredo revela uma disputa maior pelo controle da narrativa da direita em 2026. De um lado, a defesa de uma sucessão ligada diretamente à família Bolsonaro; de outro, a aposta em um nome visto como mais competitivo eleitoralmente. A intensidade do confronto indica que o racha interno está longe de ser apenas retórico e pode definir os rumos do campo conservador nos próximos anos.

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