Batismo no Rio Jordão e oração em Jerusalém: Flávio Bolsonaro repete gestos simbólicos de Jair Bolsonaro e reforça estratégia religiosa para 2026

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

Em meio à intensificação do debate sobre a sucessão presidencial de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parece apostar em um roteiro já testado e aprovado pelo bolsonarismo raiz. Em viagem oficial a Israel, o parlamentar repetiu gestos simbólicos que marcaram a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro antes da vitória eleitoral de 2018: o batismo no Rio Jordão e a oração no Muro das Lamentações, em Jerusalém.

Os atos ocorreram na última quinta-feira (22) e sexta-feira (23) e não passaram despercebidos. Para aliados, trata-se de uma manifestação legítima de fé. Para analistas políticos, o movimento carrega forte carga simbólica e estratégica, especialmente em um momento em que Flávio tenta se apresentar como pré-candidato viável da direita conservadora à Presidência da República.

O batismo no Rio Jordão, local associado ao batismo de Jesus Cristo e reverenciado tanto por cristãos quanto por judeus, foi realizado ao lado da esposa do senador. Embora Flávio já tenha declarado publicamente ser batizado, ele afirmou que o gesto representou uma “renovação da aliança com Deus”. A fala ecoa diretamente o discurso usado por Jair Bolsonaro quando, ainda deputado, foi batizado no mesmo rio pelo pastor Everaldo, em 2016 episódio que se tornou um marco simbólico da aproximação definitiva do então parlamentar com o eleitorado evangélico.

“Mesmo com a água congelante, não poderíamos perder a oportunidade de renovar nossa aliança com Deus”, declarou Flávio, em tom que mistura espiritualidade pessoal e mensagem pública. O gesto dialoga diretamente com a base evangélica, segmento que segue sendo decisivo em disputas nacionais e que hoje observa com atenção as divisões internas do bolsonarismo.

Além do batismo, Flávio também esteve no Muro das Lamentações, um dos locais mais sagrados do judaísmo. Em oração, citou Jesus Cristo e pediu que “toda investida demoníaca” contra ele fosse exposta e destruída. A escolha das palavras reforça a retórica espiritualizada que marcou a comunicação política de seu pai, especialmente em momentos de crise ou ataque.

A agenda internacional do senador inclui ainda participação na Conferência Anual de Combate ao Antissemitismo, em Jerusalém, onde deve discursar ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Após Israel, Flávio deve seguir para o Catar, ampliando o caráter diplomático da viagem e tentando projetar uma imagem de liderança com trânsito internacional um ponto frequentemente explorado por pré-candidatos ao Planalto.

No contexto atual, os gestos ganham peso adicional. Flávio enfrenta resistências dentro do próprio campo conservador, inclusive de lideranças religiosas influentes, que questionam sua capilaridade eleitoral. Ao repetir rituais que funcionaram politicamente para Jair Bolsonaro, o senador sinaliza continuidade, identidade ideológica e fidelidade ao eleitorado que formou a base do bolsonarismo.

Resta saber se a estratégia simbólica será suficiente para transformar herança política em protagonismo próprio. Em 2026, mais do que repetir gestos, Flávio Bolsonaro terá de provar que consegue converter fé, sobrenome e visibilidade internacional em votos e em unidade dentro de uma direita cada vez mais fragmentada.

Veja o vídeo: https://www.instagram.com/reel/DT0-qsjjHAv/?igsh=am4wY2RobTByZWEx

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