Deputado ligado a Malafaia vira alvo de críticas após ir a show sertanejo nos EUA durante férias

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), conhecido por ser um dos principais aliados políticos do pastor Silas Malafaia e figura de destaque na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), voltou ao centro de uma polêmica que expõe uma antiga tensão dentro do meio evangélico: os limites entre fé, vida privada e atuação pública.

Durante férias nos Estados Unidos, o parlamentar foi visto em um show da dupla Jorge e Mateus, realizado em Miami. O registro rapidamente se espalhou pelas redes sociais e foi suficiente para provocar uma enxurrada de críticas, especialmente de fiéis mais conservadores, que questionaram a coerência de um líder religioso prestigiar um evento musical associado a letras que falam abertamente sobre bebidas alcoólicas e festas — temas tradicionalmente reprovados pela doutrina assembleiana.

A repercussão ganhou força justamente porque Sóstenes não é apenas um deputado evangélico comum. Ele é frequentemente tratado como o “número dois” da ADVEC, denominação liderada por Malafaia e uma das mais influentes do país, com forte presença no debate político nacional. Para parte do público religioso, a imagem pública de um líder desse porte carrega um peso simbólico que vai além da esfera individual.

Diante das críticas, Sóstenes decidiu se manifestar. Em declarações, afirmou que é músico, aprecia diferentes estilos e que sua presença no show não contradiz seus princípios, desde que as músicas tenham, segundo ele, uma “letra boa”. O deputado também ressaltou que o principal motivo de ir ao evento foi acompanhar familiares, especialmente os mais jovens, que são fãs da dupla sertaneja.

Ainda assim, o episódio reacendeu um debate sensível dentro das igrejas evangélicas: até que ponto líderes religiosos podem — ou devem — participar de manifestações culturais seculares sem comprometer o discurso que defendem nos púlpitos? Para críticos, há uma contradição entre condenar práticas associadas ao consumo de álcool e prestigiar artistas cujo repertório frequentemente celebra esse universo. Para defensores do parlamentar, trata-se de uma escolha pessoal que não interfere em sua fé.

O contexto político torna a situação ainda mais delicada. Sóstenes tem sido citado recentemente em investigações conduzidas pela Polícia Federal, o que amplia o escrutínio público sobre seus passos, inclusive fora do país. Nesse cenário, qualquer gesto é interpretado não apenas como atitude individual, mas como reflexo de um projeto político-religioso mais amplo.

Em resposta ao portal PlatôBR, o deputado afirmou não ver incompatibilidade entre ser líder religioso e valorizar a cultura brasileira no exterior. Segundo ele, sua conduta foi guiada pelo zelo familiar e pelo bom senso artístico, e sua vida privada deve ser respeitada.

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