Nikolas Ferreira reage a padre de Aparecida e diz que críticas à sua caminhada revelam “falta de Bíblia ou intelecto”

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

O embate entre política e religião ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira (2 de fevereiro), quando o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou um vídeo em suas redes sociais para rebater as críticas feitas pelo padre Ferdinando Mancilio, do Santuário Nacional de Aparecida, à chamada “caminhada pela liberdade” organizada pelo parlamentar no mês passado.

Sem rodeios, Nikolas adotou um tom duro ao comentar a repercussão das falas do sacerdote. “Sendo bem sincero, se você não consegue contra-argumentar isso, no momento em que você viu o vídeo, lhe falta intelecto, ou Bíblia, ou os dois”, afirmou o deputado, dirigindo-se a críticos que, segundo ele, atacam a mobilização sem discutir seus argumentos centrais.

A resposta veio após Mancilio declarar, durante uma missa e posteriormente em vídeo, que não faria sentido promover uma marcha a Brasília em nome da vida quando, em sua avaliação, o parlamentar não teria apresentado projetos concretos em favor da população. Para o padre, a iniciativa teria como pano de fundo a busca por poder político afirmação interpretada por aliados de Nikolas como um ataque ideológico disfarçado de discurso pastoral.

No vídeo, o deputado ampliou o debate ao acusar setores religiosos progressistas de seletividade moral e política. Segundo ele, há indignação quando um parlamentar conservador organiza uma manifestação pacífica, mas silêncio diante de temas mais graves. “Eu nunca vi essas mesmas pessoas que dizem que estamos politizando a fé comentar sobre o crime organizado no nosso país”, disse. Nikolas também citou o caso da Nicarágua, governada por Daniel Ortega, acusando líderes religiosos alinhados à esquerda de ignorarem a perseguição a padres e freiras no país.

Ao trazer o tema internacional, o deputado tentou reforçar a ideia de que o problema não seria a mistura entre fé e política, mas quem faz essa mistura e a serviço de quais ideias. Em um dos trechos mais compartilhados do vídeo, Nikolas citou uma frase atribuída ao pregador batista Charles Spurgeon: “Só os tolos acreditam que política e religião não se discutem. Por isso os ladrões permanecem no poder e os falsos profetas continuam a pregar”.

A declaração resume a visão do parlamentar, que defende que valores religiosos devem, sim, influenciar o debate público. Para seus apoiadores, o posicionamento representa coragem em um ambiente hostil a pautas conservadoras. Para críticos, trata-se de mais um exemplo de instrumentalização da fé com fins políticos.

O episódio evidencia como o espaço religioso segue sendo um campo sensível e disputado no Brasil. Quando críticas partem de líderes religiosos de grande visibilidade, como no caso do Santuário de Aparecida, a reação tende a ser imediata e ruidosa. O confronto entre Nikolas Ferreira e o padre Ferdinando Mancilio vai além de uma discordância pontual: reflete a polarização profunda que atravessa o país, onde fé, ideologia e poder caminham cada vez mais lado a lado.

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