Em uma pesquisa global encomendada pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, o instituto de pesquisa Gallup entrevistou mais de 90.000 pessoas em 150 países, abordando suas atitudes em relação à Bíblia e comportamento religioso. O estudo revela dados intrigantes sobre a fé ao redor do mundo e mostra como as pessoas, de diferentes origens culturais e religiosas, se relacionam com a Bíblia.
A pesquisa dividiu os países em seis “clusters” com base em tendências culturais e religiosas. Um dos dados mais surpreendentes é que, globalmente, “oito em cada dez pessoas acreditam em Deus ou em um poder superior”, desafiando a ideia, defendida por alguns filósofos e pensadores no início do século XXI, de que o mundo estava se tornando menos religioso.
A pesquisa também apontou que os cristãos da América Latina e da África Subsaariana demonstram os maiores índices de uso e confiança na Bíblia. No entanto, surpreendentemente, até mesmo entre aqueles que não se consideram religiosos, um em cada cinco (20%) declarou estar “interessado em aprender mais sobre a Bíblia”.
O estudo revelou ainda que, ao observar a faixa etária, os jovens cristãos entre 18 e 24 anos estão mais confiantes ao falar sobre a Bíblia, buscar passagens relevantes para situações cotidianas e compartilhar a mensagem bíblica com amigos e familiares. Isso reflete uma mudança significativa entre a Geração Z, que tem se mostrado cada vez mais aberta a explorar sua fé, mesmo que nem sempre com uma identificação formal com a religião.
Na Europa, a pesquisa trouxe insights interessantes sobre a relação dos povos com a Bíblia. Na Europa Central e Oriental, há uma grande disparidade entre a crença em Deus e o envolvimento com a religião. Embora 80% das pessoas afirmem acreditar em Deus, apenas 39% consideram a religião uma parte importante de sua vida diária. Nos países de Europa Ocidental, como Alemanha, França e Reino Unido, a secularização é evidente, com menos da metade da população considerando a religião central em sua vida. No entanto, dois em cada três entrevistados ainda acreditam em um ser superior.
Curiosamente, o estudo também apontou que, mesmo entre países onde a fé está em declínio, existe uma abertura crescente entre os jovens para aprender mais sobre a Bíblia. Aproximadamente 77% dos jovens entre 18 e 34 anos expressaram interesse em explorar o cristianismo e a mensagem bíblica, indicando que, apesar de um aparente secularismo crescente, a curiosidade religiosa está longe de desaparecer, especialmente entre as gerações mais jovens.
A pesquisa também fez uma comparação entre diferentes grupos religiosos, observando, por exemplo, o impacto da religião em países muçulmanos, como a Albânia, onde 67% concordam que a Bíblia é uma ferramenta útil para distinguir o certo do errado, embora a maioria não tenha um exemplar em casa. Essa complexidade mostra como a Bíblia, embora central para os cristãos, é uma referência importante para diversas culturas religiosas ao redor do mundo.
Em síntese, a Pesquisa de Atitudes Bíblicas Mundiais de Patmos destaca que, mesmo em um mundo cada vez mais secularizado, o interesse pela Bíblia e a crença em Deus continuam sendo forças poderosas, especialmente entre a Geração Z, que busca sentido espiritual, apesar das incertezas religiosas tradicionais.



