Um crime brutal e ainda sem respostas abalou profundamente a pequena cidade de Pium, no oeste do Tocantins, na noite de terça-feira (17). O casal de pastores Dorvalino das Dores da Silva, de 63 anos, e Francilene de Sousa Reis e Silva, de 42, foi executado com tiros na cabeça dentro da própria residência, localizada no Assentamento Pericatu, onde lideravam a igreja Assembleia de Deus Madureira.
A execução, rápida e precisa, chocou não apenas os vizinhos e fiéis, mas também comunidades religiosas de todo o estado. O crime foi descoberto pelo filho do casal, que chegou em casa e encontrou os pais já sem vida. Vizinhos tentaram prestar socorro, mas os dois foram declarados mortos por uma equipe de saúde.
Segundo a Polícia Militar, o crime aconteceu por volta das 19h. Testemunhas relataram que um homem em uma motocicleta parou a cerca de 30 metros da casa, correu até a porta, atirou diversas vezes contra o casal e fugiu rapidamente, desaparecendo na estrada rural.
As primeiras informações sugerem uma execução planejada e sem aviso. Os disparos foram concentrados na região da cabeça, o que pode indicar a intenção de não deixar sobreviventes ou testemunhas.
Até agora, nenhum suspeito foi identificado, e a motivação segue desconhecida. Imagens de câmeras de segurança da região estão sendo analisadas e o caso está sob investigação da 57ª Delegacia de Polícia de Pium. A Secretaria da Segurança Pública afirma que todas as hipóteses estão sendo consideradas — desde crime de ódio religioso até desavenças pessoais ou comunitárias.
Dorvalino e Francilene eram respeitados líderes espirituais e muito queridos pelos moradores do assentamento e da cidade. Além de liderarem cultos presenciais, mantinham um canal no YouTube com reflexões, pregações e lives de oração. As homenagens e pedidos por justiça tomaram as redes sociais nas últimas 24 horas, com mensagens emocionadas de seguidores e amigos.
“Não era só um pastor e uma pastora, eram parte da nossa família espiritual. Ver que até em nossas casas já não estamos seguros é desesperador”, escreveu uma moradora local.
O assassinato violento de um casal de pastores levanta questionamentos sérios sobre a segurança em regiões rurais, antes vistas como refúgios pacíficos. Casos de homicídio com características de execução, mesmo em áreas isoladas, têm se tornado mais frequentes, expondo falhas no policiamento e na prevenção à violência.
A tragédia em Pium ainda está longe de ter um desfecho, mas já entra para a lista de crimes emblemáticos que desafiam a fé, a justiça e a tranquilidade de comunidades inteiras.



