Band pode tirar R.R. Soares do ar em 2026 após duas décadas no horário nobre

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

O missionário R.R. Soares, uma das figuras mais conhecidas da televisão religiosa brasileira, pode estar se despedindo da grade noturna da Band em 2026. A emissora confirmou que o contrato atual, que garante a exibição diária do “Show da Fé” entre 21h30 e 22h30, termina em junho de 2026, e já avalia mudanças na programação a partir do segundo semestre do mesmo ano.

A parceria entre o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus e a Band começou em 2003, quando o missionário passou a ocupar um dos horários mais caros e visíveis da televisão aberta — o horário nobre. Estima-se que Soares pague cerca de R$ 5 milhões por mês pelo espaço, um valor que, embora mantenha financeiramente parte da estrutura da emissora, não reflete em retorno de audiência: o programa tem média de apenas 0,5 ponto no Ibope.

Band já planeja programação sem o “Show da Fé”

Segundo a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, o alto custo do contrato aliado à baixa audiência tornou a renovação improvável. Internamente, a Band já estuda formatos para substituir o espaço atualmente ocupado pela programação religiosa. A emissora avalia que investir em entretenimento, esporte ou jornalismo pode atrair novos anunciantes e melhorar o desempenho comercial e de audiência.

Essa não seria a primeira vez que a emissora tenta rearranjar a faixa. Em 2022, a Band retirou temporariamente o programa de R.R. Soares para abrir espaço à estreia de Fausto Silva, mas, com a saída antecipada do apresentador em 2023 após prejuízos, o missionário retornou ao horário nobre.

Silêncio estratégico

Até agora, nem R.R. Soares nem a Igreja Internacional da Graça de Deus comentaram publicamente a possível saída. O silêncio é interpretado por especialistas como uma estratégia de contenção para não antecipar desgastes com a própria base fiel, que sustenta financeiramente os projetos de TV por meio de doações.

Por outro lado, dentro da própria Band, há quem veja a possível saída do “Show da Fé” como uma oportunidade de reposicionamento da marca. A emissora, que já enfrentou críticas pela presença excessiva de conteúdo religioso em sua programação, pode estar buscando um equilíbrio mais alinhado ao perfil de audiência que deseja reconquistar.

Religião e televisão: um casamento de conveniência?

A presença de igrejas na TV aberta tem sido historicamente marcada por acordos financeiros robustos, onde o espaço é alugado a líderes religiosos por cifras milionárias. Embora garanta sustentabilidade econômica a emissoras menores ou em crise, essa relação também impõe limites criativos e compromete, em alguns casos, a identidade editorial dos canais.

O caso de R.R. Soares na Band é emblemático: baixa audiência, alta rentabilidade — mas também desgaste de imagem e estagnação de público. A possível saída em 2026 pode ser um marco para reconfiguração do papel da religião na televisão brasileira — pelo menos nos horários de maior visibilidade.

Se a Band realmente romper com o “Show da Fé”, encerrará um ciclo de 23 anos. E o que virá a seguir? Novas apostas de entretenimento? Mais esportes? Ou apenas uma reformulação cosmética?

Seja como for, o movimento acena para uma nova fase — tanto para a Band quanto para a presença evangélica na mídia aberta.

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