Deputado propõe tornar movimento Legendários patrimônio cultural e religioso de Goiás

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

O deputado estadual Coronel Adailton (Solidariedade) apresentou, nesta quinta-feira (3), um projeto de lei que busca reconhecer o movimento cristão Legendários como patrimônio religioso, cultural e imaterial do estado de Goiás. A proposta foi formalizada durante sessão ordinária na Assembleia Legislativa (Alego) e ainda será avaliada pelos demais parlamentares.

Caso seja aprovada, a iniciativa colocará oficialmente o grupo no calendário cultural do estado, garantindo visibilidade institucional e possíveis incentivos a suas atividades.

O que é o movimento Legendários?

Fundado em 2015 na Guatemala pelo pastor Chepe Putzu, o movimento Legendários chegou ao Brasil promovendo uma proposta ousada: restaurar a identidade do “homem caçador”, focado em liderança, espiritualidade e superação. No papel, é um ministério voltado para o desenvolvimento pessoal e espiritual de homens cristãos, com foco em família, comunidade e fé. Na prática, no entanto, tem gerado polêmica por suas metodologias.

Os retiros promovidos pelos Legendários duram de três a quatro dias e envolvem trilhas, acampamentos e atividades de alta intensidade emocional e física, além de momentos descritos como “processos espirituais transformadores”. Diversos relatos apontam que os participantes são encorajados a enfrentar seus medos e traumas em rituais catárticos e confrontadores.

Política e religião entrelaçadas

A iniciativa do deputado Adailton não é isolada. O grupo Legendários já vinha conquistando espaço entre políticos goianos. Em junho, o deputado Paulo Cézar Martins (PL) chegou a subir à tribuna vestindo o uniforme do movimento e sugeriu a entrega de títulos de cidadão goiano ao fundador Chepe Putzu e ao líder local Nelson Ruela de Lima.

Esses apoios indicam uma crescente influência do movimento entre autoridades e levantam questionamentos sobre a mistura entre política e práticas religiosas de caráter quase militarizado. Embora o projeto de reconhecimento busque enaltecer a contribuição do grupo à sociedade, críticos alertam para o risco de validação institucional de métodos que ainda carecem de fiscalização ou regulamentação.

Polêmicas e debate público

O movimento tem atraído não apenas políticos, mas também influenciadores e personalidades públicas. Por outro lado, a falta de transparência e os relatos de abusos emocionais em alguns eventos levantam preocupações quanto à segurança dos participantes, especialmente em encontros que envolvem isolamento, pressão psicológica e atividades intensas.

A proposta de tornar os Legendários um patrimônio imaterial promete acirrar o debate entre defensores da liberdade religiosa e os que veem o movimento como um fenômeno que merece mais investigação do que homenagem.

A deliberação do projeto será acompanhada de perto por lideranças religiosas, ativistas e pela sociedade civil. Caso aprovado, o movimento Legendários pode ganhar ainda mais força e prestígio institucional no cenário evangélico e político brasileiro.

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