Malafaia abandona sessão de documentário aos gritos após ver sua própria imagem: “Cena constrangedora”

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

Apocalipse nos Trópicos é uma produção dirigida por Petra Costa, indicada ao Oscar por Democracia em Vertigem. No novo trabalho, ela volta os olhos ao crescimento das lideranças evangélicas nos espaços de poder, apontando como a religião foi usada como ferramenta de mobilização política durante os últimos anos — especialmente nas eleições de 2018 e 2022.

Silas Malafaia aparece com destaque em diversas cenas. Em uma das mais marcantes, ele cita a Bíblia para justificar a ascensão de Bolsonaro, exaltando o então presidente como “escolhido por Deus”. A diretora repete os versículos com intencionalidade, criando uma narrativa visual que mostra o uso estratégico da fé para fins eleitorais.

Também são exibidos momentos em que Malafaia pressiona senadores a aprovarem a indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal, e cenas em que ele ameaça líderes religiosos que demonstraram apoio a Lula. “Aqui a gente arrebenta eles”, diz Malafaia, mostrando o celular e evidenciando como usa as redes sociais como instrumento de intimidação.

Jato particular, blindados e promessas frustradas

O documentário também expõe o estilo de vida luxuoso do pastor, que se tornou símbolo da chamada teologia da prosperidade. Ele é mostrado embarcando em um jato particular batizado de “Favor de Deus” e dirigindo uma BMW blindada. Vaidoso, parece confortável em associar fé à riqueza, um contraste com o discurso de simplicidade de muitos líderes religiosos tradicionais.

No entanto, Petra Costa também revela a queda de prestígio político de Malafaia ao longo do tempo. Antes das eleições de 2022, ele afirmava com confiança que Lula “não teria chance nenhuma entre os evangélicos”. A vitória de Lula e a derrota de Bolsonaro, no entanto, desmontaram essa previsão.

Após a eleição, o pastor radicalizou o discurso e chegou a defender abertamente que Bolsonaro convocasse as Forças Armadas para impedir a posse de Lula — o que muitos especialistas classificaram como incitação ao golpe. Mesmo com essas declarações, até o momento, Malafaia não foi incluído pela PGR entre os investigados nas articulações antidemocráticas.

Reações e silêncio

Após a exibição, Malafaia não retornou para comentar sua saída abrupta. Procurada, sua assessoria não respondeu até a publicação desta matéria. Já Petra Costa, questionada sobre a reação do pastor, foi lacônica: “A arte, às vezes, apenas mostra o que as pessoas não estão prontas para ver”.

O documentário está previsto para estrear na Netflix nas próximas semanas e promete reacender o debate sobre os limites entre fé, política e poder no Brasil contemporâneo.

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