A denúncia formal contra o pastor evangélico Natalino do Nascimento Santiago, de 50 anos, reacende a discussão sobre reincidência criminal no Brasil — especialmente em casos de violência contra a mulher. No início de junho, Natalino matou brutalmente a própria esposa, Auriscléia Lima do Nascimento, de apenas 25 anos, a golpes de facão na zona rural de Capixaba, no Acre.
Mas esse não foi seu primeiro crime hediondo. Natalino já havia sido condenado por um assassinato com estupro, cometido em 2000, e também por um homicídio em 2011, no bairro Palheiral, em Rio Branco. Em ambos os casos, ele obteve progressão de pena — o que hoje se mostra um trágico erro do sistema penal.
Crime brutal e fuga na floresta
Após o feminicídio cometido em 11 de junho, o pastor ainda feriu gravemente o filho da vítima, de 6 anos, e o cunhado, que tentaram intervir. Os dois sobreviventes seguem em recuperação e foram fundamentais para o inquérito da Polícia Civil. Natalino fugiu para a mata e ficou foragido por quatro dias, sendo localizado dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, onde se escondia em uma área de mata densa.
Sua prisão foi realizada no dia 14 de junho e, no dia seguinte, a Justiça decretou nova prisão preventiva, diante da sua periculosidade e reincidência criminal. Desde então, Natalino está detido em regime fechado.
Denúncia inclui três crimes violentos
A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Acre o acusa de:
- Feminicídio qualificado, com agravantes da Lei Maria da Penha;
- Tentativa de homicídio qualificado contra o enteado (por motivo fútil, meio cruel e contra vítima vulnerável);
- Tentativa de homicídio simples contra o cunhado.
O delegado Aldízio Neto, responsável pela investigação, confirmou os indiciamentos com base nos depoimentos e laudos médicos. Segundo ele, “trata-se de um crime bárbaro que precisa de resposta à altura por parte da Justiça”.
Histórico de impunidade
O caso escancara a fragilidade do sistema carcerário e o impacto da progressão de pena automática, que permitiu que um estuprador e homicida voltasse às ruas. Natalino chegou a cumprir apenas 6 dos 27 anos pelos crimes de 2000. Em 2011, voltou a matar e, mesmo assim, teve acesso a novo benefício penal.
Agora, com a denúncia aceita pela Vara Única Criminal de Capixaba, ele poderá somar mais décadas de prisão ao seu extenso histórico, que já ultrapassa 35 anos de condenações.
Reflexo de uma tragédia anunciada
O caso de Auriscléia é mais do que um crime isolado: é reflexo de uma tragédia anunciada. O país que mais mata mulheres por feminicídio na América Latina segue falhando em proteger vítimas de homens violentos — inclusive quando estes já têm ficha criminal extensa.
Enquanto isso, comunidades rurais como Campo Alegre convivem com o medo, e famílias inteiras enfrentam o luto por perdas que poderiam ter sido evitadas se o sistema tivesse funcionado como deveria.



