Uma polêmica de grandes proporções sacudiu o meio evangélico nesta quarta-feira (16). A Igreja Batista da Lagoinha de Alphaville, em Barueri (SP), liderada pelo pastor André Fernandes, virou alvo de críticas nas redes sociais após ser revelado que só permite o batismo de fiéis mediante o pagamento de R$80 pela compra de uma camiseta.
A exigência veio à tona após o vazamento de uma mensagem interna enviada a grupos de WhatsApp da igreja, divulgada inicialmente pelo perfil Bastidores do Templo e replicada por diversos canais cristãos independentes. O texto é categórico:
“Todos que vão se batizar precisam realizar o check-in para a retirada da camiseta e pulseira do batismo. Sem camiseta ou pulseira, VOCÊ NÃO IRÁ BATIZAR.”
A prática gerou indignação imediata. Para muitos, trata-se de uma comercialização explícita de um sacramento fundamental da fé cristã. “Nem Jesus, nem João Batista cobravam nada. Isso é comércio dentro do templo”, comentou um internauta revoltado.
Fé com boleto?
A cobrança de R$80 — sem menção clara de isenção para pessoas em situação de vulnerabilidade — foi considerada por muitos como excludente e antibíblica. Um vídeo que circula nas redes sociais faz uma conta simples: com 1.700 pessoas batizadas na última cerimônia da Lagoinha Alphaville, a arrecadação com camisetas teria ultrapassado R$136 mil.
Embora alguns defensores da igreja tenham tentado justificar que a cobrança seria para padronizar o evento e cobrir custos logísticos, o tom da mensagem oficial não sugere nenhuma flexibilidade — e isso é o que mais incomodou parte dos fiéis.
“Padronização não pode ser mais importante que a essência do batismo: arrependimento e entrega. Isso está virando um evento, não um ato de fé”, escreveu outro seguidor.
Gratuito por essência
O batismo, segundo os evangelhos, é um símbolo público da fé cristã e deve ser gratuito e acessível. A tentativa de condicionar sua realização a um pagamento pode ser vista como uma deturpação do princípio bíblico da salvação pela graça — não pela carteira.
A ausência de uma resposta oficial da Lagoinha até o momento só aumenta a tensão. Fica no ar a dúvida: em que momento a fé passou a ser embalada e vendida como um produto?
Em meio à crescente profissionalização e marketing das grandes igrejas, esse caso reabre um debate urgente sobre os limites entre estrutura, organização e exploração religiosa. Afinal, cobrar pela camiseta pode parecer simples — mas impedir o batismo sem ela tem implicações profundas, teológicas e morais.



