Bolsonaro se emociona em homenagem ao pastor Gedelti Gueiros no Senado: “Orem por mim”

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Imagem Reprodução

O Senado Federal foi palco de uma cerimônia marcada pela emoção e pelo simbolismo religioso na manhã desta quinta-feira (17). Em sessão especial, parlamentares e lideranças evangélicas prestaram homenagem ao pastor Gedelti Victalino Teixeira Gueiros, fundador da Igreja Cristã Maranata, falecido no último dia 5 de julho. A presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que discursou visivelmente comovido, transformou o evento em um marco da aliança entre política e fé conservadora no Brasil.

Conduzida pelo senador Magno Malta (PL-ES), amigo pessoal de Bolsonaro e figura conhecida do segmento evangélico, a sessão contou com orquestra ao vivo, cânticos religiosos e uma plateia formada por parlamentares, fiéis e representantes da igreja. O clima era de reverência — não apenas à memória do pastor Gedelti, mas também ao legado que ele construiu ao longo de mais de 50 anos à frente da Maranata.

Com pouco mais de dois minutos no púlpito, Bolsonaro usou palavras fortes e de tom espiritual. Disse acreditar que o Brasil pode se tornar “a terra prometida do Ocidente”, mas lamentou que “alguns poucos ainda atrapalham esse caminho”. Em seguida, fez um apelo: “Tenho fé em Deus e peço que orem por mim. Quando os poderosos deste país, inclusive alguns desta Casa, se derem conta do óbvio… eles vão mudar. Porque um dia tudo passa”.

A fala do ex-presidente foi interpretada por aliados como uma crítica velada aos poderes constituídos — especialmente o Judiciário e parte do Legislativo —, ao mesmo tempo em que reforça sua identidade política baseada na fé, no conservadorismo e na narrativa de perseguição.

Fundador da Igreja Cristã Maranata em 1968, Gedelti Gueiros foi descrito pelos presentes como um “homem de doutrina firme” e defensor de valores bíblicos tradicionais. Ao longo das décadas, formou milhares de pastores e consolidou a Maranata como uma das principais denominações conservadoras do Brasil, com presença internacional.

Para os seguidores, sua morte representa uma perda irreparável, mas também um chamado à continuidade de sua missão espiritual. A homenagem no Senado, além de simbólica, mostrou o quanto a figura do pastor transcendeu os limites eclesiásticos e penetrou na esfera pública e política.

Mesmo fora do Palácio do Planalto, Bolsonaro segue cultivando sua base evangélica, com aparições estratégicas em eventos religiosos e aproximação com lideranças como Magno Malta e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que também participaram da homenagem. O gesto de reverenciar o pastor Gedelti — um ícone da ortodoxia cristã — reforça a mensagem de que, para Bolsonaro, a fé continua sendo um pilar de sua atuação política.

O momento, embora solene, não deixou de ser lido como um movimento tático: em meio a investigações e tensões políticas, o ex-presidente aposta na força da religião como escudo e como ponte com milhões de brasileiros que enxergam em líderes como Gedelti Gueiros e Jair Bolsonaro a continuidade de seus valores.

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