Pastor de igreja que promoveu tatuagem coletiva: “Foi uma escolha pessoal”

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Imagem Canva Pro

Um gesto simples, mas carregado de significado espiritual e social, foi o suficiente para transformar um culto evangélico em Balneário Camboriú, Santa Catarina, no centro de um intenso debate nas redes. No último sábado (12), cerca de 60 membros da Reino Church decidiram tatuar o versículo Mateus 24:14 como uma forma pública de compromisso com a missão cristã. A cena, registrada em vídeo e compartilhada pelo pastor Eduardo Reis, viralizou: já passa de 1,6 milhão de visualizações.

A gravação mostra jovens formando fila dentro da igreja, em clima sereno, à espera da tatuagem. Ao contrário do que muitos imaginaram, não se tratava de um ritual oficial nem de um apelo emocional coordenado pela liderança. “A decisão foi espontânea, individual e consciente, feita por adultos em um ambiente de reflexão e compromisso pessoal com a missão do Evangelho”, explicou o pastor, em resposta à onda de críticas e questionamentos.

O versículo escolhido — “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações. E então virá o fim” — é central na teologia da igreja, que se define como cristã, evangélica, mas fora das estruturas denominacionais tradicionais. A Reino Church está presente em 18 cidades brasileiras e em países como Bolívia, Paraguai e Estados Unidos.

O próprio pastor Eduardo Reis tem a passagem tatuada no braço e afirma que a iniciativa dos fiéis surgiu após ele compartilhar seu testemunho pessoal, e não por motivação institucional. “Depois que contei sobre a minha tatuagem, os membros da igreja, sem que eu pedisse, contataram um tatuador que também é da comunidade”, explicou. Cada fiel pagou individualmente pelo procedimento, reforçando o caráter pessoal do ato.

A tatuagem cristã não é exatamente uma novidade no cenário evangélico contemporâneo, especialmente entre as novas gerações. Mas isso não impediu que o gesto despertasse críticas acaloradas de outros religiosos. “Precisou tatuar para lembrar de Jesus? Que bíblia vocês estão lendo?”, questionou um internauta em um dos comentários mais curtidos.

Apesar disso, há também quem veja no ato um símbolo legítimo de fé em tempos de secularização e indiferença espiritual. Para Reis, a tatuagem foi apenas uma consequência de algo mais profundo: “A marca na pele apenas refletiu o que já estava gravado no coração”.

O episódio revela uma tensão crescente dentro do cristianismo brasileiro: a busca por novas linguagens de expressão da fé em um contexto urbano, jovem e digital. Para muitos, tatuar um versículo não diminui a reverência pela Bíblia — ao contrário, pode ser uma forma de torná-la visível em um mundo cada vez mais visual.

Enquanto os mais tradicionais enxergam exagero ou desvio doutrinário, outros defendem que é apenas mais uma maneira de “pregar o evangelho a todas as nações” — como diz Mateus 24:14.

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