Documentário de Petra Costa na Netflix provoca reação de líderes evangélicos ao retratar a fé como motor do bolsonarismo

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Imagem Divulgação/Reprodução

O novo documentário da cineasta Petra Costa, Apocalipse nos Trópicos, chegou à Netflix em meio a uma tempestade ideológica que escancara uma das maiores tensões do Brasil contemporâneo: o cruzamento entre fé evangélica, política e o bolsonarismo. Após ser exibido no Festival de Veneza em 2024, o longa causou polêmica imediata por apontar a ascensão da extrema-direita no país como um fenômeno amplamente alimentado por interpretações apocalípticas da fé cristã.

A obra mergulha em imagens de cultos, bastidores de campanhas e episódios-chave da política recente, como os atos de 8 de janeiro de 2023, traçando paralelos entre a narrativa religiosa e o engajamento político conservador. Um dos alvos centrais do filme é o pastor Silas Malafaia, figura proeminente do evangelicalismo brasileiro e defensor incondicional do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Malafaia, inclusive, protagonizou uma cena tensa durante uma sessão do filme, reagindo aos gritos ao que chamou de “ataque orquestrado à fé cristã”. Para líderes evangélicos como o pastor Gustavo Knauer, o documentário não passa de uma “peça de propaganda da esquerda” e tenta demonizar o crescente protagonismo político dos evangélicos. “Hoje decidimos eleições. Isso incomoda muita gente”, declarou.

Não é de hoje que Petra Costa incomoda setores conservadores. Seu documentário anterior, Democracia em Vertigem, já havia gerado forte reação ao narrar o impeachment de Dilma Rousseff e os desdobramentos políticos seguintes sob uma ótica crítica à direita. Agora, com Apocalipse nos Trópicos, ela amplia o escopo e mira a estrutura simbólica por trás do apoio a Bolsonaro: a religiosidade.

No entanto, ao retratar esse movimento com lentes críticas, Petra reacende o debate sobre liberdade artística, manipulação ideológica e o papel da fé no espaço público. É um filme que provoca — e esse parece ser justamente o seu propósito.

No fim das contas, Apocalipse nos Trópicos não fala apenas sobre religião ou política, mas sobre como o Brasil vive uma batalha de narrativas em que até mesmo a fé vira campo de disputa. Um retrato do tempo em que vivemos — onde o altar e o palanque estão cada vez mais próximos.

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