O pastor Silas Malafaia voltou a causar barulho no cenário político ao publicar, na noite desta segunda-feira (28), um vídeo em suas redes sociais criticando duramente quatro dos principais governadores ligados à direita: Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ratinho Jr. (PR) e Ronaldo Caiado (GO).
Aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro, Malafaia não poupou adjetivos ao acusar os líderes estaduais de “omissão” diante do Supremo Tribunal Federal (STF) e, em especial, do ministro Alexandre de Moraes. “Vocês já viram esses caras criticarem Moraes? Criticarem o Supremo? Nunca! Só bravata política”, disparou o pastor, cobrando dos governadores uma postura mais dura em defesa de Bolsonaro.
O estopim foi a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, após Donald Trump anunciar tarifas contra o país. O ex-presidente norte-americano insinuou, em carta, que a perseguição judicial a Bolsonaro teria influenciado sua decisão. Malafaia chamou o episódio de “retaliação política” e aproveitou para pressionar os governadores a se posicionarem. “Falar de Lula é mole. Quero ver é botar o dedo na ferida”, provocou.
A fala repercutiu intensamente nas redes sociais, gerando embates dentro da própria direita. De um lado, militantes bolsonaristas reforçaram a cobrança para que Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho Jr. enfrentem o STF de forma mais explícita. Do outro, apoiadores mais pragmáticos defenderam cautela, apontando que confronto direto com o Judiciário pode trazer instabilidade e atrapalhar a gestão dos estados.
Na prática, o episódio escancara uma disputa que já estava latente: quem herdará o protagonismo da direita em 2026? Tarcísio e Zema são constantemente lembrados como possíveis candidatos ao Planalto, enquanto Caiado e Ratinho Jr. também tentam se viabilizar. A cobrança de Malafaia, nesse sentido, parece ir além da fidelidade a Bolsonaro: é também um alerta de que o eleitorado mais fiel ao ex-presidente seguirá testando a coragem e a lealdade de quem deseja ocupar seu espaço.
Em um momento de tensão internacional e incerteza econômica, a pressão do pastor reforça o dilema da oposição: manter o discurso radical que mobiliza as bases ou adotar uma postura institucional para dialogar com setores mais amplos da sociedade. A escolha poderá definir não apenas os próximos meses, mas também o cenário eleitoral de 2026.



