O culto liderado pelo missionário norte-americano Sean Feucht em Montreal, no Canadá, no último fim de semana, está gerando intensa repercussão. A igreja Ministerios Restauración, localizada no bairro Plateau-Mont-Royal, recebeu uma multa de US$ 2.500 por realizar o evento sem autorização formal. O episódio colocou novamente em evidência o conflito entre liberdade religiosa e políticas de inclusão no país.
A visita de Feucht fazia parte da turnê evangelística Revive in 25, que já havia enfrentado resistência em outras cidades canadenses. Em Montreal, vídeos publicados nas redes sociais mostraram policiais armados dentro da igreja e até uma bomba de fumaça lançada contra o palco. Um homem de 38 anos foi detido por obstrução.
As autoridades municipais justificaram a multa afirmando que o culto não tinha licença e que o evento contraria “os valores de inclusão, solidariedade e respeito defendidos em Montreal”. Um porta-voz da prefeita Valérie Plante destacou que a liberdade de expressão deve ser respeitada, mas “discursos de ódio e discriminação não são aceitáveis”.
Feucht, ex-líder de louvor da Bethel Music e conhecido por posições conservadoras contra o aborto, a ideologia de gênero e a homossexualidade, rebateu a acusação de intolerância. Em publicação no X (antigo Twitter), afirmou que sua fé está sendo tratada como extremismo: “Se eu tivesse aparecido com cabelo roxo e vestido, o governo não teria dito nada. Mas professar crenças cristãs é visto como um risco à segurança pública”.
A turnê do missionário já teve eventos cancelados em pelo menos seis cidades, incluindo Quebec, Halifax e Toronto, sempre sob alegações de risco à ordem pública. Em Winnipeg, o próprio prefeito chegou a admitir que as opiniões de Feucht são controversas, mas lembrou que a Carta Canadense de Direitos e Liberdades garante o direito à expressão.
O episódio reacendeu um debate delicado no Canadá. Para críticos, as ações contra Feucht expõem um viés anticristão cada vez mais presente no país, lembrando casos da pandemia, quando pastores chegaram a ser presos por celebrarem cultos presenciais. Já para os defensores das restrições, trata-se de uma questão de proteger minorias e evitar que discursos religiosos se transformem em plataformas de exclusão.
Entre aplausos e críticas, o fato é que a passagem de Sean Feucht pelo Canadá mostrou que a tensão entre fé e políticas públicas ainda está longe de um consenso. Afinal, onde termina a liberdade religiosa e começa a responsabilidade social? A resposta, pelo visto, seguirá dividindo opiniões.



