Gilberto Gil aciona padre por fala sobre morte de Preta Gil e expõe avanço da intolerância religiosa no Brasil

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Imagem Canva Pro

O cantor Gilberto Gil e sua esposa, Flora Gil, tomaram uma decisão rara, mas significativa: notificaram judicialmente o padre Danilo César e a Diocese de Campina Grande (PB) após declarações consideradas preconceituosas feitas durante uma missa em julho. O episódio, revelado pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, voltou a expor as tensões entre fé e intolerância no país.

Durante a celebração, transmitida ao vivo e depois retirada do ar, o sacerdote questionou em tom de deboche: “Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”. A frase rapidamente viralizou nas redes sociais, gerando indignação não apenas entre admiradores da cantora, mas também entre defensores da liberdade religiosa.

A fala foi classificada pelos advogados de Gil e Flora como “discriminatória e preconceituosa”, configurando potencial crime de intolerância religiosa, previsto na Lei nº 9.459/1997. Além disso, a família destacou o aspecto humano da questão: o comentário foi feito em meio ao período de luto pela morte de Preta Gil, falecida em 20 de julho, aos 50 anos, vítima de complicações de um câncer colorretal.

Na notificação, o casal exige três medidas: abertura de investigação pela Diocese, retratação pública do padre em missa transmitida ao vivo e a aplicação de sanções disciplinares canônicas. A Diocese tem dez dias para responder, sob risco de ação cível e criminal.

O caso ganha ainda mais relevância diante de um dado preocupante: segundo o Disque 100, denúncias de intolerância religiosa contra praticantes de religiões de matriz africana aumentaram 27% em 2024, com 876 registros. Preta Gil, além de sua carreira artística, sempre assumiu com orgulho sua identidade espiritual ligada ao candomblé e à umbanda — algo que a tornava alvo constante de ataques preconceituosos.

Mais do que um embate jurídico, o episódio levanta uma reflexão urgente: até que ponto parte do discurso religioso no Brasil continua sendo usado como instrumento de ataque contra outras crenças? A atitude de Gil e Flora, portanto, extrapola o âmbito pessoal. É também um chamado público para que casos como esse não sejam normalizados em templos, altares ou redes sociais.

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