A Igreja Lagoinha Alphaville, uma das filiais mais influentes da rede Lagoinha Global, está no centro de uma polêmica judicial. Uma família ingressou com ação contra a instituição após a filha, durante uma aula bíblica infantil, ter doado todo o dinheiro que possuía motivada pelo medo de punição espiritual.
Segundo o processo, a passagem de Malaquias 3:6-10 foi lida durante a atividade, enfatizando que deixar de entregar o dízimo seria equivalente a “roubar a Deus”, o que traria maldição. A interpretação literal feita pela criança teria provocado forte apreensão emocional, levando-a a entregar os R$ 16,00 que tinha guardado.
A advogada da família sustenta que a situação viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garante proteção contra constrangimento psicológico e religioso. A petição também se fundamenta nos artigos 186 e 927 do Código Civil, destacando que, mesmo voluntários, os monitores atuam em nome da igreja e tornam a instituição responsável.
O pedido judicial inclui a restituição do valor doado e uma indenização de R$ 20 mil por danos morais, considerada simbólica, mas relevante diante do impacto na vida emocional e espiritual da criança. “Trata-se de ato de coação emocional, incompatível com um ambiente cristão que deveria transmitir amor e não medo”, afirma o texto.
O episódio, além de levantar discussões sobre a relação entre práticas religiosas e proteção infantil, acontece em meio a mudanças importantes na liderança local. Em julho, o pastor André Fernandes e sua esposa, Quezia, anunciaram sua saída da Lagoinha Alphaville, em uma despedida marcada pela emoção. Fernandes afirmou que o casal atenderá a um chamado missionário no exterior, deixando a condução da igreja para novos líderes.
A coincidência entre a repercussão do processo e a transição pastoral reforça o clima de atenção sobre a filial, considerada uma das mais prósperas e estratégicas da Lagoinha.



