O cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller voltou a se posicionar de forma crítica sobre as aberturas do papa Francisco em relação à comunidade LGBTQIA+. Em entrevista à agência ANSA, nesta quarta-feira (17), em Belmonte del Sannio, na Itália, Müller classificou os atos homossexuais como “pecado mortal” e afirmou que o papa Leão XIV deveria corrigir o que ele chamou de “mal-entendido” sobre as bênçãos a uniões homoafetivas.
Müller, que já foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, disse que considera inadequado que pessoas LGBTQIA+ passem pela Porta Santa do Vaticano durante o Jubileu sem a intenção de abandonar práticas homossexuais. Para ele, esse gesto estaria sendo usado como forma de “propaganda pessoal”, e não como um ato de penitência.
O cardeal reforçou que a doutrina da Igreja não mudou e que não deve dar sinais de aceitação a comportamentos que, segundo ele, são contrários à fé. Müller também criticou a decisão de Francisco, tomada em 2023, de permitir que padres e bispos façam bênçãos a casais homoafetivos, afirmando que a medida foi um equívoco.
Além das questões LGBTQIA+, Müller descartou a possibilidade de ordenar mulheres ao sacerdócio, afirmando que “é uma questão dogmática, e nenhum Papa pode mudar um dogma da Igreja”.
O cardeal mantém histórico de embates com o pontífice. Nomeado por Bento XVI à Congregação para a Doutrina da Fé em 2012 e elevado a cardeal por Francisco em 2014, Müller foi dispensado em 2017 após demonstrar oposição a diversas reformas do Papa, principalmente em temas ligados à família.



