China intensifica repressão a cristãos: mais de 70 pessoas presas em operação contra igrejas domésticas

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Imagem Canva Pro

Uma nova onda de repressão religiosa se espalha pela China. De acordo com organizações cristãs internacionais, mais de 70 pessoas foram presas nas últimas semanas por participarem de atividades religiosas consideradas ilegais pelo regime comunista. Entre os detidos estão pastores, líderes locais e cristãos comuns, surpreendidos durante reuniões em casas, igrejas e até locais de trabalho.

A operação, que mobilizou cerca de 400 policiais e 200 viaturas, aconteceu no leste do país e teve como alvo grupos de estudo bíblico independentes. Segundo a organização Portas Abertas, as autoridades interrogaram os fiéis sobre suas finanças e vínculos religiosos, impondo multas que variam de alguns milhares a dezenas de milhares de yuans.

Um parceiro local da missão relatou ao site britânico que o impacto da repressão foi devastador:

“Nossa igreja praticamente parou. Muitos abandonaram a fé e mais de 80 grupos domésticos deixaram de se reunir”, afirmou Jason*, um dos cristãos afetados.

Para ele, os motivos por trás da ofensiva ainda são incertos. “Pode ter havido denúncias internas, suspeitas de laços estrangeiros ou até acusações de heresia. Mas tudo isso é especulação”, disse.

O caso se soma a um padrão crescente de perseguição religiosa na China, onde o Partido Comunista Chinês (PCC) tem intensificado o controle sobre o cristianismo. Mesmo igrejas oficiais — como o Movimento Patriótico das Três Autonomias e a Associação Patriótica Católica — enfrentam censura e pressão para alinhar suas práticas à ideologia estatal.

As chamadas “igrejas domésticas”, que funcionam de forma independente, são hoje os principais alvos da vigilância. Seus líderes costumam ser acusados de “fraude”, “administração ilegal” ou “organização de reuniões não autorizadas”, crimes que justificam detenções arbitrárias.

Entre os casos mais graves está o de Ming*, um pastor local desaparecido há dias. Segundo relatos, ele já havia sido preso anteriormente por realizar pequenos cultos e chegou a sofrer espancamentos e ameaças para abandonar a fé.

A China ocupa atualmente a 15ª posição na Lista Mundial da Perseguição Cristã, divulgada pela Portas Abertas — um ranking que monitora países onde os cristãos enfrentam riscos severos.

Enquanto o governo de Pequim insiste em chamar o movimento religioso de “atividade ilegal”, grupos de direitos humanos alertam para uma escalada autoritária silenciosa, que tenta suprimir qualquer forma de espiritualidade fora do controle do Estado.

“Orem por Ming e por todos os cristãos que vivem sob intensa vigilância”, pediu a Portas Abertas em nota.

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