Lula indica nova candidatura em 2026 e diz que esquerda precisa aprender a falar com evangélicos

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu o sinal mais claro até agora de que pretende disputar a reeleição em 2026. Durante a abertura do congresso do PCdoB, em Brasília, nesta quinta-feira (17), o petista afirmou que “2026 será um ano sagrado” e aproveitou o discurso para defender a necessidade de aproximação com o público evangélico, reconhecendo que a esquerda ainda não sabe se comunicar bem com esse segmento.

A declaração veio no mesmo dia em que Lula recebeu no Palácio do Planalto o bispo Samuel Ferreira, presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil (Madureira) uma das maiores do país e que apoiou Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. O gesto é visto como parte da estratégia do governo para reduzir a resistência do eleitorado cristão antes do próximo pleito.

“Evangélico não é contra nós. Nós é que não sabemos falar com eles. O erro está na gente, não neles”, afirmou Lula, em tom de autocrítica, diante de dirigentes partidários e militantes. O presidente destacou que, para reconquistar o apoio popular, o campo progressista precisa “falar a língua do povo”, abandonando a retórica excessivamente técnica e voltada às elites.

“Nosso discurso é para o povo brasileiro, para aqueles que trabalham”, completou, ao cobrar que a militância reformule sua forma de comunicação e se reconecte com os eleitores de base especialmente os que migraram para a direita nos últimos anos.

O aceno aos evangélicos representa uma mudança de estratégia dentro do Planalto. Assessores próximos afirmam que Lula pretende construir pontes com lideranças religiosas moderadas, sem abrir mão das pautas sociais do governo.

Ao afirmar que “2026 será um ano sagrado”, Lula sinaliza que deve buscar um quarto mandato, mirando uma disputa que promete repetir o embate ideológico de 2022. Segundo aliados, o presidente tem dito em conversas reservadas que “não entregará o país de volta à extrema direita”.

O encontro com Samuel Ferreira e o discurso no congresso do PCdoB reforçam o movimento de reconciliação política e simbólica que Lula tenta promover entre a esquerda e o eleitorado cristão um segmento decisivo nas urnas e que pode definir o rumo da próxima eleição presidencial.

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