A fintech cristã Clava Forte Bank, vinculada à Igreja Batista da Lagoinha e apresentada em seus discursos como “o banco do Reino de Deus”, entrou no radar da CPMI do INSS. Documentos enviados à comissão por órgãos como o COAF e a Receita Federal apontam que parte dos recursos investigados que supostamente vêm de fraudes nos descontos dos benefícios de aposentados e pensionistas pode ter transitado por essa plataforma religiosa-financeira.
Segundo os relatórios de inteligência financeira, associações como a CONAFER, a CBPA, a Amar Brasil e a Associação dos Aposentados do Brasil (AAB) registraram movimentações financeiras muito superiores ao que suas atividades justificariam. Parte desse montante teria sido desviado para igrejas, fundações religiosas e também para o Clava Forte Bank.
A CPMI instaurada para apurar esse esquema de descontos associativos não autorizados já investiga uma possível rede de lavagem de dinheiro. Parte das queixas reforça a hipótese de que transferências para o banco da Lagoinha serviriam para dar “aparência lícita” aos recursos obtidos de forma irregular. Em requerimentos aprovados pela comissão, parlamentares pedem a quebra de sigilo bancário e fiscal do Clava Forte, além da emissão de novos relatórios de inteligência que mostrem a origem exata desses valores.
Por ora, não há confirmação pública de valores exatos que teriam passado pela fintech os documentos disponíveis tratam de dados consolidados, e os montantes específicos para o Clava Forte ainda estão sob sigilo. A CPMI quer apurar se esses repasses foram destinados a finalidades legítimas como doações, manutenção de templos ou projetos sociais ou se realmente serviram para encobrir operações criminosas.
Do lado da fintech, a defesa enfatiza que o Clava Forte Bank não é um banco tradicional. Segundo a empresa, trata-se de um correspondente bancário que opera no modelo Banking as a Service (BaaS), usando a infraestrutura de outra instituição autorizada pelo Banco Central. Ainda assim, o Clava Forte não consta na lista de bancos regulados diretamente pelo Banco Central, o que levanta questionamentos sobre sua estrutura.
No comando da fintech está o pastor André Valadão, da Lagoinha, com sua esposa, Cassiane Montosa Pitelli Valadão, também em cargos de gestão. A instituição oferece contas digitais, cartões, linhas de crédito para igrejas, seguros, cashback e até financiamento para construção de templos.
O momento das investigações se torna ainda mais sensível quando se considera outro fato recente: após a prisão do ex-controlador do Banco Master, um dos suspeitos centrais nas operações ligadas ao INSS, o site do Clava Forte saiu do ar com uma mensagem de “manutenção”, sem explicações claras até agora.
Se a CPMI conseguir provar vínculo direto entre os operadores suspeitos do esquema de descontos e a fintech cristã, o relatório final poderá recomendar que o Ministério Público entre em ação. Até lá, a Clava Forte permanece sob escrutínio, com sua reputação e sua missão financeira explicitamente cristã sob sérias suspeitas.



