Indicação de Jorge Messias ao STF divide bancada evangélica e expõe nova disputa política no Congresso

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Imagem Reprodução

A indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal mal foi anunciada e já acendeu mais um capítulo da disputa política que movimenta Brasília. O nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repercutiu com força especialmente entre parlamentares evangélicos e dividido eles de maneira explícita.

Logo cedo desta quinta-feira (20), o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) publicou um vídeo celebrando a escolha. Visivelmente animado, o parlamentar destacou um ponto que, para ele, é decisivo: Messias seria um “cristão genuinamente evangélico”, com trajetória antiga em uma Igreja Batista. Para Otoni, esse detalhe seria o que faltava para aliviar parte das tensões que o segmento conservador nutre em relação ao STF.

Segundo o deputado, a chegada de Messias à Corte poderia “equilibrar” decisões em temas moralmente sensíveis, que nos últimos anos desencadearam derrotas consecutivas para os conservadores. Ele citou que a atual composição do Supremo pende majoritariamente para o progressismo, o que, na visão de grupos religiosos, tem ampliado o desgaste entre o tribunal e boa parte da população cristã.

“Messias contempla cristãos evangélicos, católicos e conservadores que reconhecem a importância de uma Suprema Corte mais equilibrada”, disse Otoni, antes de desejar bênçãos ao indicado e afirmar que está orando por sua vida. Mas, como manda o rito, Messias ainda terá de enfrentar a sabatina no Senado etapa que costuma revelar o verdadeiro humor político do momento.

Se Otoni abriu sorrisos, outra parte da direita reagiu com dentes trincados. Sostenes Cavalcante (PL-RJ), líder de seu partido na Câmara e também pastor, classificou Messias como “prevaricador”. Para ele, o fato de o advogado-geral ser evangélico não torna a indicação menos estratégica para o governo. Em outras palavras, Sostenes vê o movimento como uma jogada de Lula, e não como gesto de aproximação do Planalto com o segmento cristão.

“Nada contra o candidato, mas tudo contra o descondenado”, alfinetou, reforçando que a oposição tentará articular com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para barrar a nomeação. Ele ainda alertou que, se o governo sofrer um revés nessa votação, o impacto político tende a respingar diretamente na disputa presidencial que já aparece no horizonte a menos de um ano de distância.

A temperatura promete subir. Entre a leitura religiosa, a estratégia eleitoral e a disputa por espaço institucional, a indicação de Messias virou mais um termômetro da guerra fria entre governo, Congresso e o segmento evangélico grupo que continua no centro do tabuleiro político brasileiro.

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