Malafaia diz que está proibido de visitar Bolsonaro e acusa STF de perseguição política

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

O pastor Silas Malafaia voltou ao centro do debate político-religioso ao afirmar publicamente que está impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Em mensagem publicada na rede social X, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec) atribuiu a restrição a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e classificou a medida como parte de um processo de “perseguição política”.

Na postagem, Malafaia reagiu a críticas e especulações sobre sua ausência junto ao ex-presidente. Em tom duro, afirmou que não se trata de falta de vontade ou distanciamento pessoal, mas de uma proibição judicial explícita. Segundo ele, as medidas cautelares impostas pelo STF incluem não apenas a restrição de contato com Bolsonaro, mas também a apreensão de seu passaporte e até de cadernos de conteúdo teológico. O pastor declarou ainda que está proibido de se comunicar com outras figuras ligadas ao ex-presidente, como Eduardo Bolsonaro e o comunicador Paulo Figueiredo.

A fala do líder evangélico reforça a narrativa, recorrente entre aliados do ex-presidente, de que decisões judiciais extrapolariam o campo jurídico e atingiriam esferas pessoais, políticas e religiosas. Para Malafaia, o inquérito no qual está inserido não teria base técnica, mas motivação política, argumento que ele já apresentou em outras ocasiões ao comentar investigações conduzidas pelo Supremo.

O episódio ocorre em um momento sensível no campo jurídico. Na mesma semana, a defesa de Jair Bolsonaro voltou a acionar o STF para tentar reabrir a discussão sobre a condenação de 27 anos e três meses de prisão imposta pela Primeira Turma, no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. Os advogados ingressaram com um agravo regimental após a Corte barrar a apresentação de embargos infringentes, recurso que permite reavaliação do julgamento.

O entendimento atual do STF é de que esse tipo de recurso só é cabível quando há pelo menos dois votos pela absolvição, o que não ocorreu no caso, já que apenas o ministro Luiz Fux divergiu. A defesa, no entanto, sustenta que julgamentos realizados pelas Turmas não deveriam seguir o mesmo critério aplicado ao Plenário, sob pena de restringir o direito de defesa.

Caso o recurso seja acolhido, os advogados pedem que prevaleça o voto divergente de Fux, o que poderia levar à nulidade da ação penal ou até à absolvição do ex-presidente. Enquanto isso, declarações como a de Silas Malafaia ampliam a tensão entre setores religiosos conservadores e o Judiciário, mantendo o debate público aquecido sobre limites institucionais, liberdade de expressão e o alcance das decisões do Supremo.

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