CPMI do INSS expõe nomes de igrejas e líderes evangélicos e amplia tensão entre Damares e Malafaia

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

A crise aberta entre lideranças evangélicas e a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (14). A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou publicamente uma lista de igrejas e líderes religiosos que tiveram pedidos de convocação ou de transferência de sigilo aprovados no âmbito das investigações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. A manifestação ocorreu logo após o pastor Silas Malafaia anunciar que faria um desafio público à parlamentar, exigindo explicações sobre declarações que associaram “grandes igrejas” a esquemas criminosos.

Na publicação, Damares afirmou que os requerimentos apresentados na CPMI não surgiram de suposições ou discursos genéricos, mas de indícios levantados a partir de documentos oficiais. Segundo a senadora, os pedidos se baseiam em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), dados da Receita Federal e outras informações encaminhadas aos parlamentares responsáveis pela apuração.

Entre as instituições religiosas citadas nos requerimentos estão a Adoração Church, a Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, o Ministério Deus é Fiel Church conhecido como SeteChurch e a Igreja Evangélica Campo de Anatote. A senadora também mencionou pedidos de convocação ou convite para depoimento de líderes religiosos como André Machado Valadão, César Bellucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes. No caso de Valadão, houve ainda solicitação de quebra de sigilo, conforme registrado nos documentos da comissão.

Damares fez questão de afirmar que a possibilidade de envolvimento de igrejas ou líderes evangélicos em esquemas de fraude lhe causa “profundo desconforto e tristeza”. A senadora, que construiu grande parte de sua trajetória política com apoio do eleitorado evangélico, destacou que não se trata de ataque à fé ou às instituições religiosas como um todo, mas do cumprimento do dever constitucional da CPMI de investigar fatos concretos, com imparcialidade e base documental.

O embate com Silas Malafaia, no entanto, expôs uma divisão delicada dentro do próprio campo evangélico. De um lado, líderes religiosos argumentam que menções públicas sem o devido cuidado podem reforçar estigmas e criminalizar igrejas que desenvolvem trabalhos sociais relevantes. Do outro, parlamentares envolvidos na investigação sustentam que nenhuma instituição pode ser blindada quando há indícios de irregularidades envolvendo recursos públicos e prejuízo direto a aposentados.

A divulgação da lista também muda o tom do debate. Se antes a discussão girava em torno de uma suposta generalização, agora os nomes colocados na mesa dão contornos mais objetivos à investigação ainda que isso não signifique, automaticamente, culpa ou condenação. Especialistas em direito parlamentar lembram que pedidos de convocação ou quebra de sigilo são instrumentos de apuração e não provas definitivas.

O episódio reforça como a relação entre política, religião e investigação institucional segue sendo um dos temas mais sensíveis do cenário brasileiro. Ao tornar públicos os requerimentos, Damares tenta demonstrar que suas falas não foram retóricas, enquanto Malafaia e outros líderes seguem cobrando cautela para que a fé não seja transformada em alvo coletivo. A CPMI do INSS, por sua vez, avança em meio a pressões políticas, religiosas e sociais, com o desafio de separar responsabilidade individual de generalizações que podem ampliar ainda mais a polarização.

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