“Apocalipse nos Trópicos”- Documentário brasileiro sobre poder religioso e democracia é indicado ao BAFTA 2026

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Imagem Canva Pro

O documentário brasileiro “Apocalipse nos Trópicos” (Apocalypse in the Tropics) acaba de alcançar um dos reconhecimentos mais relevantes do cinema internacional. A produção foi oficialmente indicada ao BAFTA Film Awards 2026, na categoria Melhor Documentário, segundo a lista final divulgada pela Academia Britânica de Cinema. A cerimônia está marcada para o dia 22 de fevereiro de 2026, em Londres, e coloca o Brasil novamente no centro do debate audiovisual global.

Dirigido pela cineasta Petra Costa, conhecida mundialmente por Democracia em Vertigem, o documentário aprofunda um tema sensível e cada vez mais presente na realidade brasileira: a articulação de lideranças religiosas nos espaços de poder e o impacto direto dessa presença sobre as instituições democráticas, as eleições e o debate público. Longe de uma abordagem panfletária, o filme aposta em observação, escuta e contextualização histórica para apresentar um fenômeno que extrapola o campo religioso e se consolida como força política.

A narrativa de Apocalipse nos Trópicos percorre bastidores do poder em Brasília, cultos, eventos públicos e discursos que ajudam a compreender como o voto religioso, especialmente o evangélico, se tornou peça-chave na definição de políticas públicas e alianças institucionais. Depoimentos de figuras centrais da política e do meio religioso brasileiro são entrelaçados com registros de mobilizações populares, revelando uma engrenagem que atua tanto nos púlpitos quanto nos plenários.

Produzido por Alessandra Orofino, o documentário também chama atenção por não tratar a fé como elemento isolado, mas como parte de um ecossistema social mais amplo. O filme questiona até que ponto a influência religiosa fortalece a representação democrática ou tensiona princípios como laicidade do Estado, pluralidade de ideias e liberdade individual. Essa abordagem crítica e ao mesmo tempo humana tem sido um dos principais fatores por trás da boa recepção internacional da obra.

Na disputa pelo BAFTA, o documentário brasileiro concorre com produções de peso: 2000 Meters to Andriivka, Cover-Up, Mr. Nobody Against Putin e The Perfect Neighbor. A presença do Brasil nessa lista reforça o interesse global por narrativas que abordam democracia, autoritarismo e disputas ideológicas a partir de realidades locais.

Além da indicação de Apocalipse nos Trópicos, o Brasil vive um ano histórico no cinema britânico. O filme “O Agente Secreto” concorre nas categorias Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Roteiro Original, enquanto o diretor de fotografia Adolpho Veloso foi indicado por seu trabalho em Train Dreams. O conjunto dessas indicações sinaliza um momento de maturidade e projeção internacional do audiovisual brasileiro.

Mais do que uma conquista artística, a indicação de Apocalipse nos Trópicos ao BAFTA evidencia que o debate sobre religião e poder no Brasil deixou de ser um tema doméstico. Ele agora interessa ao mundo como alerta, reflexão e espelho de transformações que atravessam democracias em diferentes continentes.

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